Além da polêmica sobre o ônus do recolhimento das embalagens de agrotóxicos recair sobre prefeituras e governo do Estado, o programa Terra Limpa não consegue alcançar bons resultados em alguns municípios onde está em funcionamento. Em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, o número de produtores que fazem o recolhimento é muito pequeno. Em Prudentópolis (centro-sul do Estado), a unidade de recepção praticamente não entrou em funcionamento.
Segundo o presidente da Associação de Produtores Agrícolas de Colombo (Apac), José Nicácio Strapasson, há vários fatores que dificultam a entrega das embalagens na unidade de recepção. ‘‘Em primeiro lugar, o barracão é regional, mas poucos produtores de outros municípios sabem que ele existe, falta divulgação.’’
Além disso, existem datas pré-determinadas para a entrega das embalagens por agricultores de cada município. Se o produtor quiser entregar em outro dia, o material não é aceito. Há também a limitação da existência de resíduos. ‘‘Se o material não tiver passado pela tríplice lavagem eles não aceitam’’, diz. O problema é que em Colombo a maioria dos produtores é de hortifrutis e utiliza os produtos em pequenas doses. ‘‘Uma embalagem fica muito tempo na propriedade, com isto fica mais difícil de tirar todos os resíduos’’, explica o produtor.
Outro motivo para o baixo desempenho da unidade de recepção de Colombo é a redução no uso de agroquímicos na região. Segundo Strapasson, a queda nos últimos anos está próxima de 60%.
Cesar Lovato é hortifrutigranjeiro de Colombo que está transformando sua propriedade de convencional em orgânica. ‘‘Muitos produtores estão deixando de usar agrotóxicos e aqueles que ainda fazem aplicações destes produtos têm um consumo muito baixo.’’ A redução no uso dos produtos químicos no município é mais um argumento utilizado pelos ambientalistas contra o programa estadual. ‘‘A responsabilidade tem que ser dos fabricantes, ou corremos o risco dos municípios terminarem sendo responsabilizados pela destinação de pneus usados ou baterias de celulares’’, lembra Lídia Lucaski, presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar).
A presidente do Instituto Guardiões da Natureza, de Prudentópolis, Vânia Mara Moreira dos Santos, afirma que a unidade existente no município é insuficiente. ‘‘Ela praticamente não começou a funcionar e a área de abrangência desse barracão é para muitos produtores, o que dificulta a conscientização.’’ Ela também questiona a forma do programa Terra Limpa. ‘‘O governo não deve assumir o encargo e os municípios não são responsáveis pela coleta, isto precisa ser feito pelos fabricantes’’, completa. (E.C.)

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