Colômbia quer ordenar mercado
O avanço do plantio adensado no Paraná e do café irrigado no Norte do País faz com que a previsão de colheita do produto para o ano 2000 aponte para 40 milhões de sacas. Este volume de produção pode provocar fortes quedas nas cotações do café no mercado mundial, afirmou ontem, em Londrina , o assessor econômico da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, Jorge Ramirez.
A Colômbia vai propor ao governo brasileiro e aos setores envolvidos com a cafeicultura a criação de instrumentos para ordenar a produção e a distribuição do café no mercado mundial. As grandes variações de preços do café se devem mais a fatores externos do que problemas dos países produtores, observou.
Esta proposta, segundo Ramirez, seria um complemento à apresentada na quinta-feira pelo gerente técnico da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, Antonio Herron Ortiz, que sugere que Brasil e Colômbia façam avaliação e previsão de safra conjuntas.
Ramirez disse que o projeto para ordenar a produção e oferta do café envolveria, além do Brasil e da Colômbia, a Costa Rica. E outros países produtores que venham a se interessar, comentou. O projeto, segundo o técnico da Colômbia, receberá apoio financeiro de US$ 3 milhões do Banco Mundial e da Organização Internacional do Comércio (OIC).
Outra proposta prevê a elaboração de um estudo de toda a cadeia produtiva do café. Desta forma teremos condições de fazer um diagnóstico de toda a cadeia nos países envolvidos e identificar os gargalos que precisam ser ajustados, explicou.
O projeto, segundo Ramirez, também prevê a criação de uma metodologia única para a composição dos custos de produção. Seria uma forma de termos referências comparativas entre os países produtores e um maior controle sobre os preços, disse. Ramirez observou que estas propostas ainda estão em um estágio embrionário, e que esta visita ao Brasil serviu para fazer o primeiro contato com os setores envolvidos com a cafeicultura. A partir de agora é preciso estreitar os laços e intensificar a troca de experiências e informações, salientou.
A comitiva colombiana visitou ontem lavouras de café adensado na região de Londrina e conheceu a indústria de torrefação da Corol, em Rolândia. À tarde, os colombianos estiveram na Centro do Comércio do Café, onde fizeram provas do produto, e em seguida participaram de uma reunião na Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina.Paulo WolfgangIntercâmbioColombianos fazem prova de qualidade do café paranaense no Centro de Comércio do Café, em Londrina: troca de experiênciasGuto Rocha





