Dois pontos positivos impressionaram a missão colombiana que está visitando o Brasil no setor de equipamentos agrícolas: A) os investimentos em lançamento de produtos feitos pelas indústrias de máquinas, B) O estágio das pesquisas do Iapar, voltadas para a pequena e média propriedades. Técnicos e empresários colombianos visitaram indústrias em São Paulo (Jumil, Marchezan, Jacto e Baldan, entre outras) e ontem estiveram no Iapar, conhecendo protótipos e projetos de arados para tratores de baixa potência, que reduzem custos do preparo do solo e viabilizam o plantio direto na pequena e média propriedades.
No Iapar, os colombianos ouviram exposições do presidente do Instituto, Florindo Dalberto (‘‘Pesquisa agropecuária no Paranᒒ); do especialista em planejamento, Paulo Varela Sendin (‘‘Perspectivas para o relacionamento entre instituições de pesquisas e indústrias no Brasil’’); do pesquisador Augusto Guilherme de Araújo, da Área de Engenharia Agrícola (‘‘Inovações tecnológicas no setor de máquinas e implementos agrícolas’’).
Mário CésarHerrera:
Ambiente econômico
favorável, apesar
da GuerrilhaOs colombianos querem saber como a indústria brasileira tem enfrentado o processo de globalização e como elas se relacionam com os institutos de pesquisas oficiais.
Acordo técnico e comercial O engenheiro Bernardo Herrera, chefe da missão - composta de empresários e técnicos - tem como certa a celebração de futuros acordos tecnológicos e comerciais. O Brasil já superou muitas etapas que a Colômbia enfrenta atualmente, como a própria expansão da agroindústria. E a Colômbia tem grande potencial produtivo e alguns pontos em comum.
Segundo o técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas (Abimac), Carlos Eduardo De Marchi, que acompanha a missão nas visitas às indústrias, os colombianos se disseram impressionados com o empenho e agressividade das indústrias de máquinas nos projetos de lançamento de produtos. ‘‘Em algumas fábricas filiadas à Abimaq, eles viram 20 a 30 técnicos debruçados em planilhas e computadores tratando do lançamento de produtos e ficaram impressionados’’, contou De Marchi. O padrão tecnológico das indústrias foi outro ponto destacado por Herrera que, na coletiva à imprensa, fez alusão à certificação do Iso 9000 por parte de muitas indústrias.
Herrera disse que a preocupação do seu país é com a abertura econômica. Assim como um dia a globalização chegou ao Brasil, certamente chegará à Colômbia. Mas este não é o único motivo que trouxe a missão ao Brasil. Ou outro fator que preocupa técnicos do governo e empresários do setor de equipamentos, é a perspectiva de mercado. A Colômbia atravessa uma fase otimista em relação aos investimentos tecnológicos voltados para a agricultura. Ao mesmo tempo, governo e empresas estão determinados a potencializar a agricultura. O país conta com três fatores básicos: clima e solo favoráveis à produção de grãos, fronteira agrícola a expandir e mercado consumidor.
Mas, se a variável econômica está bem encaminhada, com boa capacidade de investimentos, a Colômbia ainda terá de vencer a questão política. Bernardo Herrera fala claramente desta preocupação. Ele acha que a guerrilha - ‘‘bem equipada e mais forte que o próprio exército’’ - inibe os investimentos no setor rural. A guerrilha representa perigo de sequestro e outras formas de ataque a empresários. No entanto, a Colômbia vai vencer também este obstáculo e não está sozinha nesta tarefa.
De Londrina, os colombianos foram para Esteio (RS) para conhecer a Expointer. Mas o interesse maior é pela agricultura de grãos e seus equipamentos. Herrera disse à imprensa em Londrina que o Brasil reúne os dois pontos que mais despertam interesse aos colombianos: tem uma indústria de equipamento em ascensão e saiu na frente em termos de globalização. Os colombianos querem entender também como ocorrem as parcerias entre governo e iniciativa privada. Neste aspecto, o representante da Abimaq admitiu que essas parcerias não avançaram muito. As indústrias se mostram mais agressivas que o setor público neste aspecto. Carlos Eduardo também coloca a falta de uma política oficial de longo prazo como dificuldade para investimentos em tecnologia. Sem conhecer os rumos da política para o setor, os agricultores também não podem ousar nos investimentos em tecnologia, o que fatalmente afeta comercialmente o setor industrial.

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