Cascavel - Pode faltar colheitadeiras para atender pedidos de entrega até março, devido ao aumento da procura. A constatação é de Isomar Martinichen, gerente de vendas da New Holland, sediada na Cidade Industrial de Curitiba. ‘‘Algumas revendas ainda dispõem de colheitadeiras em estoque para atender os pedidos feitos no Show rural’’, disse, acrescentando que a montadora agora acata pedidos para entrega a partir de maio, apenas.
Martinichen afirma que os pedidos nos três primeiros meses do ano devem ter incremento de 30% em comparação com igual período de 2001, o que representará 200 unidades a mais. De acordo com ele, foram negociadas 598 colheitadeiras em janeiro último no mercado nacional, o que representa crescimento de 32,88%, enquanto que a New Holland teve aumento de 35,04%, comparando as 289 unidades com as 214 de janeiro de um ano atrás. No segmento de tratores, as vendas foram de 1.489 unidades em janeiro último, frente às 1.018 do ano passado, com expansão de 46,26%. A New Holland comercializou 424 unidades, frente às 200 anteriores.
Martinichen acredita que a tendência é a demanda se estabilizar ao longo do ano, fechando o exercício com crescimento próximo de 5%.
No entanto, José Luís Coelho, gerente de produto e mercado da John Deere, com sede em Horizontina (RS), acha que os negócios deste ano deverão ficar no mesmo patamar de 2001, quando o mercado nacional negociou cerca de 28 mil tratores e 3,8 mil colheitadeiras.
Coelho, apesar de reconhecer os benefícios do Moderfrota, ao dispor de dinheiro a juros compatíveis com a realidade, diz que o governo deve pensar em suplementar os recursos destinados à modernização da frota brasileira de máquinas agrícolas.
Os R$ 670 milhões destinados em dezembro último para complementar os recursos do programa não serão suficientes para atender a demanda, avalia o gerente da John Deere, ao considerar que este volume deve se esgotar já na primeira quinzena de maio.
Para uma frota nacional de 500 mil tratores, com idade média entre 10 e 12 anos de uso, o índice de modernização deveria ser de 10%, o que equivale a 50 mil unidades por ano. ‘‘Isto dá a dimensão do potencial do mercado. No entanto, para que isso ocorra é preciso que o governo mantenha instrumentos que permitam o acesso do agricultor aos novos maquinários, como o Moderfrota’’, argumenta Coelho.
Devido à procura no primeiro dia do Show Rural, o Banco do Brasil (BB), em Cascavel espera fechar contratos que superem os R$ 30 milhões, frente aos R$ 29 milhões de igual período do ano passado. Segundo Lenilda Moreira Fontes Martins, gerente de expediente da Agência Centro de Cascavel do BB, a instituição acolheu R$ 1,7 milhão em propostas na última segunda-feira, frente aos R$ 300 mil do primeiro dia em que operou no Centro Tecnológico Coopavel (CTC) no ano passado.

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