Colheita não derruba preço do milho
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sábado, 25 de janeiro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O início da colheita do milho no Paraná não derrubou os preços do cereal. Ontem, a saca ao produtor foi cotada a R$ 20,48. No início do mês, o valor praticado era R$ 19,39. Para a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), esse comportamento revela que alguns consumidores estão comprando antecipadamente. O objetivo seria evitar os problemas de desabastecimento enfrentados no ano passado.
Apesar da estiagem que atingiu parte das lavouras na época do plantio, não há perspectiva de quebra na produção. De acordo com estimativa do Deral, o Estado deve colher 7,4 milhões de toneladas nesta primeira safra. ''As condições climáticas favoreceram. Esse número pode ser superado'', acredita Vera.
No ano passado, a produção foi de 7,5 milhões de toneladas. Mesmo com a redução de 4% na área, o volume vai ser mantido neste ano. ''Ganhamos em produtividade'', considerou a agrônoma. Na atual safra de verão, a área de milho no Paraná foi de 1,44 milhão de hectares (ha).
A perspectiva de bons preços durante a safra animou os produtores, que sinalizam investimento na safrinha. A previsão do Deral é que a área da cultura aumente 17%, atingindo 1,2 milhão de ha no inverno. ''É quase a mesma área que a safra de verão. A safrinha se torna cada vez mais importante para complementar o abastecimento de milho'', afirmou.
A conjuntura, segundo ela, exige que o governo federal incentive o plantio do grão no inverno. O Paraná, inclusive, está reivindicando a abertura do Proagro para a cultura. ''É uma cobertura da produção que protegeria das frustrações climáticas'', disse.
O agricultor teve duas frustrações de safrinha nos últimos três anos. Em 2000, a geada causou perda de 67% das lavouras. No ano passado, o prejuízo foi de 40%. O fenômeno El NiÀo, observado este ano, diminui os riscos para o próximo inverno.
A previsão é que o Estado produza 4 milhões de toneladas de milho safrinha em 2003. Somados aos 7,4 milhões de toneladas da safra de verão, o volume obtido no Estado será de 11,4 milhões. Essa oferta, segundo Vera, é muito ajustada à demanda do Paraná, que precisa de mais de 11 milhões de toneladas para atender suas necessidades de consumo, exportação e vendas para outros estados. ''A situação reforça a necessidade de incentivo''.
Em Cascavel, o produtor Pedro Lupatini se prepara para colher 150 ha de milho em meados de fevereiro. Antes, ele vai colher uma lavoura de soja precoce porque planejou plantar 150 ha de milho safrinha no local. Com produtividade de 170 sacas por ha no verão, Lupatini informou que seu custo de produção é de 60 sacas por ha. ''O custo é alto mas o preço está animador'', considerou.


