Colheita movimenta R$ 625 mi no Oeste
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 1999
Paulo Pegoraro 
Confirmadas as previsões, e se nenhum incidente meteorológico ou de mercado surgir, ao final desta safra a comercialização de grãos representará aproximadamente R$ 625 milhões circulando no Oeste paranaense. Deste total, desconta-se o custo de produção e outras despesas e conclui-se que cerca de 60% podem ser transformados em dinheiro vivo na mão dos produtores.
No caso da soja, embora este seja um ano de preços ruins no mercado internacional, paradoxalmente é uma das culturas que garantirão melhor remuneração aos agricultores, por causa da supervalorização da moeda americana. A soja é um produto que tem seu preço cotado em dólar.
Claro que há grande otimismo, mas devemos lembrar que ao longo dos anos praticamente pagamos para produzir, observa Sebaldo Waclawovski, diretor-secretário da Cooperativa Central Regional Iguaçu, de Cascavel, e produtor na região de Capanema. Ele, que cultiva soja e milho, comenta que o custo das lavouras foi consolidado quando o dólar estava bem mais baixo - na faixa de R$ 1,20. Porém, o agricultor observa que na próxima safra, com os custos atuais, a situação com certeza não será a mesma.
Para se chegar à fabulosa soma de reais que jorram da safra, no Oeste paranaense, divide-se as mais de 2 milhões de toneladas de soja previstas por 60 quilos (uma saca), e multiplica-se pelo preço médio, que deve ficar em torno de R$ 15,50. No milho, a equação é cerca de 741 mil toneladas, divididas pelo total de sacas, e o resultado multiplicado por R$ 8,50. A receita bruta com a soja deve superar R$ 520 milhões, e com milho cerca de R$ 105 milhões. Há produtores que estão assegurando lucro próximo a 60% em relação ao investido na soja, e mais ainda no milho.
Na região da Secretaria Estadual de Agricultura - núcleo de Cascavel -, o milho teve área ampliada este ano em quase 10%, em relação à safra anterior, e a soja manteve área praticamente igual, segundo o chefe do Núcleo, Clayton Lang. Na região de Toledo, Paulo Oliva, do Departamento de Economia Rural daquele Núcleo, relata que a soja ocupa área inferior em 4,4%, e o milho cresceu 33%. Nas duas culturas, porém, a produtividade aumentou, por causa da condição climática, o que resulta na safra considerada como uma das mais gordas dos últimos anos.


