Colheita mecânica anima produtores de algodão
Sid Sauer
Enviado a Juranda
A colheita mecânica de algodão está animando agricultores de Juranda (78 km a sudoeste de Campo Mourão), que é hoje um dos maiores produtores do Estado. A área destinada à cultura nesta safra é praticamente a mesma do ano passado - 3,5 mil ha -, mas o percentual que vem sendo colhido mecanicamente teve um aumento de 25%. Este ano, cerca de 1,5 mil ha, o que representa 43% do total, vai ser colhido através de colheitadeiras.
O plantio na região aumentou nos últimos quatro anos com a chegada das primeiras máquinas, diz o técnico Vlamir Batista Gonçalves, da Coamo, em Juranda. A área de plantio, que chegou a ser superior a 10 mil ha tinha caído para cerca de 2 mil ha quando a cooperativa começou a alugar colheitadeiras e repassar aos cotonicultores. Hoje, os próprios produtores se encarregam de procurar as máquinas.
Na região de Juranda, um grupo de 60 produtores alugou três máquinas de Itumbiara (GO) para fazer a colheita do algodão. Os cotonicultores de Goiás e Mato Grosso podem emprestar suas máquinas nesta época porque a colheita no Centro-Oeste só começa em maio, justamente quando o trabalho está terminando no Paraná. O aluguel de cada máquina custa 21 arrobas do produto por ha. Segundo os produtores, vale à pena.
O custo do aluguel está sendo de R$ 210,00 por ha, mas gastaríamos R$ 280,00 se pagássemos pela colheita manual, diz o produtor Bento Batista da Silva. Além do custo menor, ele ressalta que há dificuldade de contratação de mão-de-obra. O produtor Wilson Pereira de Godoy, 34, por exemplo, conta que não conseguiu encontrar nem os 50 homens que precisava para fazer a colheita da chamada bordadura, que são as beiradas da plantação.
A máquina não pega a bordadura com tanta eficiência, explica Godoy. Se não fosse a colheita mecânica, no entanto, ele diz que não teria plantado algodão. Dono de uma área de 184 ha, Godoy destinou 24 ha para a cultura. Foi a primeira vez que eu plantei algodão, ressalta. Até então, ele só se dedicava à soja e o milho. Achava que o algodão dava muito trabalho, confessa. Agora, com as máquinas, ficou mais prático e eficiente
A produtividade superior a 200 arrobas por ha, no entanto, animou Godoy. Ele já fala em aumentar a área plantada no ano que vem. Bento Batista Silva também não esconde a animação com a cultura. Dos 240 ha de sua propriedade, ele destinou 48,8 ha ao algodão. E se deu bem. Também plantei soja e milho, mas é o algodão que está me deixando mais animado, tanto pelo preço quanto pela produtividade, conta.
Silva está colhendo sua segunda safra de algodão. Ele é outro produtor que só aderiu à cultura depois da chegada da colheita mecânica. Ficou mais fácil, frisa. Agora, ele não pensa em parar mais, apesar da cultura oferecer mais risco do que a soja ou o milho. Para o ano que vem, a área de algodão deverá, pelo menos, ser mantida.
O custo de uma colheitadeira de algodão, no entanto, ainda é considerado alto - cerca de US$ 250 mil. Por isso mesmo, os produtores da região preferem pagar aluguel aos colegas do Centro-Oeste. Em compensação, uma única máquina colhe, em média, duas mil arrobas por dia, o que equivale ao trabalho de 400 homens. Um trabalhador treinado colhe, manualmente, cinco arrobas por dia. O custo da colheita manual é de R$ 1,40 por arroba colhida.





