Colheita é prejudicada por falta de trabalhadores
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Guto Rocha 
As usinas de açúcar e álcool da região Noroeste do Paraná estão enfrentando dificuldades para contratar trabalhadores para o corte de cana-de-açúcar. Segundo o presidente da Alcopar (órgão que representa o setor), Ermeto Barea, o déficit de trabalhadores atinge cerca de 8 mil pessoas. Ele explica que a falta de mão-de-obra foi provocada pela redução da área ocupada pelo café e algodão na região, fazendo com que muitos trabalhadores migrassem para outras regiões.
Outro fator é o crescimento da produção de cana-de-açúcar no Paraná. Barea afirma que o setor vem apresentando crescimento entre 10% e 12% ao ano. Na safra passada foram produzidos 22 milhões de toneladas, já na atual safra a produção deve atingir 25 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, afirma.
O presidente da Alcopar diz que 11 unidades da região Noroeste do Estado estão com dificuldades para contratar trabalhadores. Cada um busca sua própria solução, comenta. Segundo ele, duas unidades construíram alojamentos e foram buscar cerca de 500 trabalhadores na região Nordeste do País. Outras usinas já adotam premiação para estimular a assiduidade e produtividade.
Barea, que é proprietário da Usina Cidade Gaúcha, no município de mesmo nome, diz que tem um déficit de 300 trabalhadores em sua usina. Ele afirma que está estudando duas alternativas para resolver o problema. Uma saída seria construir alojamentos e buscar trabalhadores no Nordeste. A outra que estamos estudando, é a construção de casas na cidade para fixar os trabalhadores na região, afirma.
Ele diz ainda que a Usina Cidade Gaúcha participa do programa Vila Rural em conjunto com Governo de Estado e Prefeitura. O projeto prevê a construção de 80 casas, mas já queremos ampliar para 240 casas, afirma.
Segundo Barea, no ano passado, a usina deixou de faturar R$ 3,5 milhões por causa da falta de cortadores de cana. Outras usinas tiveram o mesmo problema, e outras alongaram o período de corte, o que acaba provocando perdas também, afirma.
Com a falta de mão-de-obra, diz Barea, os salários dos trabalhadores nos canaviais tiveram um aumento 5% acima do aumento do salário mínimo, que foi de 7,14%. Um cortador de cana recebe entre R$ 1,20 e R$ 1,40 por tonelada, afirma.


