Colheita do PR inicia com aumento estimado em 3,8%
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sábado, 01 de fevereiro de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Quarto Centenário - O sojicultor paranaense trabalhou, suou, investiu em tecnologia e, agora, espera para ver se a safra 2013/14 realmente vai bater o recorde histórico de produção no Estado. Pelo cenário, tudo indica que sim e os Estados Unidos devem "comer poeira" este ano, com o Brasil liderando a produção mundial. O Projeto Soja Brasil abre oficialmente a colheita nacional da safra, em evento realizado ontem e hoje na cidade de Quarto Centenário, Centro-Oeste do Paraná.
A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que na segunda-feira não estará mais na função para se dedicar à pré-campanha ao governo do Estado, participa das atividades nos dois dias. O governador Beto Richa, que em outubro vai disputar a eleição com ela, também está em Quarto Centenário.
De acordo com dados levantados pela Safras& Mercado, a expectativa de colheita nacional é de 90,94 milhões de toneladas, com aumento de 9,6% em relação a 2012/13. No Paraná, a estimativa de aumento é de 3,8%, conforme divulgou ontem o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O clima colaborou, os produtores apostaram no grão e o resultado aponta para uma colheita de 16,4 milhões de toneladas - a maior da história do Estado - superando o volume recorde atingido no ano passado, quando foram colhidas 15,83 milhões de toneladas.
Lá fora, mesmo com a seca, a safra norte-americana de soja deve fechar em 90 milhões de toneladas. Já a produção sul-americana da oleaginosa está projetada em 160 milhões de toneladas (contra 146 milhões da safra passada), o que totaliza um valor global de 290 milhões de toneladas, ante 268 milhões de 2013. "Se pelo lado da oferta o volume está alto, por outro temos um bom prognóstico de aumento da demanda mundial entre 5% e 6%. Dessa maneira, os estoques vão se manter ajustados", comentou o consultor da Safras&Mercado, Flávio França, durante um dos painéis do evento ontem.
Em relação aos preços, segundo ele, a expectativa é de que se mantenham na casa dos US$ 12 bushel em Chicago, podendo atingir, no cenário atual, o máximo de US$ 13 de média no primeiro semestre desse ano. "Para voltarmos aos patamares de US$ 14, só se acontecer uma tragédia nas próximas seis semanas, o que é bastante improvável. O calor desse momento, que está judiando da soja tardia, pode até levar a uma leve retração das expectativas de produção, mas não o suficiente para movimentar o mercado", analisou ele.
Vale lembrar que este é o oitavo ciclo seguido de bons números da soja brasileira, ou seja, há oito safras o produtor vem fazendo bons negócios com a commodity. Por isso, segundo o consultor, é natural que, em algum momento, aconteça um "arrefecimento" dos valores. Em relação à logística para o transporte de todo esse volume do produto agrícola, o momento é um pouco mais tranquilo. "Até agora, vendemos 40% da safra, contra 60% no mesmo período do ano passado. Como o volume de transporte é menor, não teremos a mesma concentração de embarques de 2013, quando a soja embolou com o milho nos portos", complementou.
O repórter viajou a convite da Monsanto.


