A safra agrícola deste ano deve ser 1,29% menor do que a de 1997, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de junho. A expectativa de colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas é de 76,5 milhões de toneladas, enquanto que, em 97, o volume chegou a 77,5 milhões. O chefe do Departamento de Agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria, informou que a queda tem como causa principal a redução das previsões de safra do arroz e do milho.
O excesso de chuvas no Sul, produtor de 44% do arroz nacional, e a seca no Nordeste, onde são colhidos outros 12% da produção, fizeram com que o IBGE estime agora em 8 milhões de toneladas a safra do produto neste ano. Lauria previu que 3 milhões de toneladas tenham de ser importadas dos outros países do Mercosul e dos Estados Unidos para atender à procura do mercado interno.
Em relação ao milho, a previsão é de colheita de 30 milhões de toneladas - quantidade 3,6% em relação à safra do ano passado, de 35 milhões de toneladas. O crescimento de 23,81% da produção da segunda safra do cereal não compensou a queda de 18,54% da primeira safra - mais importante - este ano. Além da seca no Nordeste, Lauria apontou a redução de 11,5% da área plantada na região Centro-Sul como motivo para a quebra de safra do produto.
‘‘O milho não vem tendo um bom preço, e muitos produtores optaram por outras culturas’’, afirmou o técnico do IBGE para explicar a diminuição da área de plantio. Lauria também previu importação do produto, porque o consumo médio de milho pelos brasileiros é de 36 milhões de toneladas, e os estoques governamentais estão em 3 milhões de toneladas.
Aumento O trigo também teve sua área de plantação reduzida, em 7%, mas em relação a este cereal o instituto prevê aumento da produção. A safra deve ficar em 2,5 milhões de toneladas de safra - índice 7,8% superior aos 2,4 milhões de toneladas de 1997. Segundo Lauria, o motivo foi o clima favorável no Paraná e Rio Grande do Sul - que produzem 94% da safra nacional.
‘‘É um produto que ainda pode sofrer mudanças, porque está em fase de crescimento’’, alertou o técnico do IBGE, que lembrou do risco das baixas temperaturas. Além disso, os primeiros dados da safra para São Paulo e Santa Catarina não ficaram disponsíveis para o LPSA.
Lauria chamou a atenção, ao divulgar o documento, para o crescimento da produção na região sul do Piauí e Maranhão e na área em torno da cidade de Barreiras (BA). Ele também notou um crescimento rápido da produção de sorgo, usado em substituto ao milho como ração: em 1995, a safra brasileira foi de 242 mil toneladas e, neste ano, espera-se a produção de 700 milhões de toneladas. ‘‘É um produto que deve ser observado’’, avisou.

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