Vânia Casado
De Curitiba
Com o início da colheita da primeira safra de feijão 99/2000, os preços estão recuando e a tendência é de queda ainda maior no mercado em janeiro, período de pico de safra. Principalmente neste final de ano, a comercialização de feijão deverá ser a mais lenta dos últimos cinco anos, informou Marcelo Luders, da corretora Correpar, de Curitiba. Segundo ele, a possibilidade de melhora de preços é remota e o produtor tem que optar entre vender o feijão agora com preço mais baixo, ou guarda para vender depois e corre o risco de ver a produção perder em qualidade.
Para Luders, o produtor está resistente e acha que vai conseguir uma cotação melhor pelo produto. Mas ele tirou essa esperança porque ontem, o mercado voltou a cair na região da ‘‘Bolsinha’’, em São Paulo, quando o feijão carioca de qualidade extra foi comercializada a R$ 50,00 a saca. O feijão paranaense que não atinge a qualidade considerada ‘‘ top’’ , segundo o corretor, alcança preço que varia entre R$ 45,00 a R$ 47,00 a saca.
Para ofertar o feijão a esse preço, o produtor tem que se conformar em receber entre R$ 33,00 a R$ 35,00 a saca, mesmo assim se o mercado não voltar a cair em São Paulo. O produtor não está muito satisfeito porque quer vender o produto pelo preço referência. Em Londrina por exemplo o preço referência é de R$ 50,00 a saca para o feijão carioca novo, mas poucos lotes estão sendo negociados nesse valor. Segundo Luders, há muita oferta de feijão bom, de qualidade e poucos compradores.
O excesso de produção é provocado pelo aumento da produção em outros estados como Goias, Minas Gerais e São Paulo, onde produtores mais tecnificados optam pelo plantio do feijão, porque a lavoura tem liquidez rápida. Além disso, são lavouras mais produtivas que permitem ao produtor absorver melhor as grandes oscilações de preços do produto.
Luders lembrou ainda que a comercialização de feijão também sofre as consequências da concentração do setor supermercadista no país. Com o poder de compra cada vez mais forte, os grandes supermercados impõem o preço da mercadoria e manipulam o mercado.
Feijão preto Para o feijão preto, o quadro é pior porque está sendo comercializado abaixo do preço mínimo, fixado em R$ 28,00 a saca. Segundo o engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura, Gilberto Martins Bello, a queda nos preços vem ocorrendo desde o período da entressafra, quando cerealistas e produtores aumentaram a oferta com feijão estocado de safras anteriores. Bello acredita numa leve reação na cotação do feijão preto apenas para o produto novo que está entrando agora.

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