Imagem ilustrativa da imagem Colheita da soja americana já pressiona preços no mercado interno



O plantio de soja no Paraná para a safra 2016/17 foi liberado a partir desta sexta—feira (16) pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapar) e já começaram as especulações acerca da rentabilidade da commodity para os produtores do Estado. Uma informação que pegou o mercado mundial de surpresa é a possibilidade de recorde para a produção nos Estados Unidos, cuja colheita já foi iniciada. Uma safra cheia dos americanos pressiona os preços no mercado interno e pode atrapalhar a comercialização dos paranaenses para os próximos meses.

No relatório recente divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a expectativa é que a safra do país norte-americano atinja a marca de 114,3 milhões de toneladas, sendo que antes girava em 111 milhões de toneladas. Dados compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) relatam que essa movimentação fez com que os contratos futuros perdessem quase 5,8% no acumulado de setembro da Bolsa de Chicago, saindo de US$ 10,2 por bushel para o patamar de US$ 9,46.

Susto
A economista da Faep Tânia Moreira relata que os preços recebidos pelo produtor paranaense em agosto fecharam em R$ 68,17 para a saca de 60 quilos, enquanto em julho estavam em R$ 74,67. Em algumas praças, o patamar de preços foi ainda menor nesta primeira quinzena de setembro. "Em final de agosto e setembro, todos os olhos já estavam voltados para essa produção recorde dos Estados Unidos. O valor é maior do que em anos anteriores. O patamar de 114 milhões de toneladas assustou o mercado e isso pressionou os preços", salienta ela.

No Paraná, a comercialização da próxima safra está em apenas 12%, de acordo com número da consultoria Safras e Mercado. O número é inferior aos 20% do mesmo período do ano passado, mas acima da média dos últimos cinco anos, quando ficou em 8%. "Uma grande oferta, claro, pode gerar pressão nos preços. Até agora, o dólar tem sustentado os valores no mercado interno. O que vejo neste momento é um produtor mais cauteloso, aguardando o retorno das melhores cotações para comercializar sua safra. Vamos aguardar pra ver se isso ocorrerá", explica o técnico do Deral especializado na cultura, Marcelo Garrido.

Vale lembrar que os bons preços de comercialização de milho fizeram a área de soja no Estado sofrer uma leve retração de 1% e fechar em 5,23 milhões de hectares, com uma produção estimada em 18,2 milhões de toneladas, alta de 11% comparada às 16,5 milhões de toneladas da safra 2015/16. A produção mundial, segundo o USDA, deve fechar em 330,4 milhões de toneladas, 5,6% superior à safra passada. "A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ainda não divulgou a estimativa oficial do País. Mas deve ultrapassar a casa dos 100 milhões de toneladas", projeta Garrido.

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