Colheita atrasada mantém preços mas pode comprometer safrinha
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segunda-feira, 09 de março de 1998
Guto Rocha 
O atraso na colheita do milho em relação à safra passada está sustentando o preço do grão em plena safra, mas pode prejudicar o plantio da safrinha. Os preços sustentados do milho pode incentivar muitos produtores a optar pela safrinha, mas o atraso na colheita do milho e soja pode atrapalhar os planos dos produtores, comenta o economista da Safras & Mercados, Paulo Molinari. Ele observa que o prazo recomendado pela pesquisa para o plantio da safrinha se encerra no próximo dia 20 de março.
Segundo boletim da Safras & Mercados divulgado ontem, até última sexta-feira a colheita do milho continuava lenta e atrasada em relação à safra passada. Enquanto a colheita na semana passada atingiu 30,7% da área plantada em todo o País, no ano passado, neste mesmo período, a colheita atingia 36%. Este quadro revela uma oferta de milho muito menor, o que já era esperado com a redução da área plantada em todo o País.
No Paraná, segundo o Departamento de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura, a área com o grão encolheu 17,83%, passando dos 1,81 milhão de hectares na última safra para os atuais 1,49 milhão de ha. A produção deve ficar em 5,1 milhões, contra os 5,6 milhões colhidos no ano passado.
O atraso na colheita foi provocado pelas chuvas no mês de fevereiro que ficaram acima da média histórica, atrapalhando o trabalho de colheita.
Com a oferta menor e o atraso na colheita, reduzindo ainda mais a disponibilidade do grão, os preços ficam estáveis. Molinari afirma que a saca ao produtor é cotada entre R$ 6,90 e R$ 7,10. Em algumas regiões, onde a produção é muito pequena, os preços estão melhores, comenta.
Molinari observou ainda que, se por um lado o atraso na colheita mantém os preços sustentados, por outro pode provocar um colapso no transporte e armazenagem da safra. Deverá haver um problema de logística já que a colheita do milho deverá se intensificar num mesmo momento que a da soja, comenta.
O economista da Safras & Mercados observa que o mercado tem de 10 a 15 dias para aguardar uma entrada satisfatória de milho em nível de balcão de forma a atender a demanda do curto prazo e neutralizar os processos especulativos mais forte.


