Colégio agrícola terá ensino médio a partir do ano que vem
Vânia Casado
De Curitiba
Os novos currículos dos colégios agrícolas do Paraná, adaptados às necessidades do ensino médio, entrarão em vigor já a partir do ano que vem com a instituição do ensino agrícola profissionalizante. Com a alteração, os alunos poderão fazer as aulas do ensino médio normal, ao que mesmo tempo que frequentam as aulas do ensino profissionalizante. Assim, não vão mais precisar concluir os três anos do ensino normal para só depois fazer o profissionalizante. Os dois níveis de ensino poderão ser realizados juntos, com economia de tempo e dinheiro.
Os alunos poderão sair com dois diplomas dos colégios agrícolas: o do ensino médio normal e o médio profissionalizante, observa a secretária da Educação, Alcyone Saliba. Segundo ela, esse modelo está sendo implantado de forma inédita no Paraná e não vai ferir a Lei de Diretrizes e Bases, do ministério da Educação, que promoveu mudanças no ensino médio do País a partir de 1996. Conforme a nova LDB, o ensino secundário de 2º grau passou para ensino médio, ao nível de educação geral, e o profissionalizante foi transferido para o período pós-médio. A legislação permite uma flexibilidade no currículo no limite de 25%, de forma que a escola pode direcionar a formação escolar de acordo com as necessidades dos alunos.
Com essa brecha e a adaptação da grade curricular, os alunos cumprem a jornada exigida do ensino médio normal num período, e a jornada do ensino profissionalizante em outro. Os alunos que já completaram o ensino médio regular e querem frequentar apenas o profissionalizante, poderão ser atendidos. Alcyone Saliba informa que o projeto entrará em vigor em 2000 e por enquanto está em fase de levantamento de custos.
A condição para viabilizar esse modelo foi tornar o ensino técnico nos colégios agrícolas auto-sustentáveis, explica. Se a Secretaria da Educação tivesse que bancar o regime de semi-internato, necessário à execução desse modelo, e ainda se responsabilizar pelo financiamento das atividades na fazenda, o ensino estaria condenado e em pouco tempo poderia ser suspenso novamente, porque não há recursos para isso, admite a secretária.
No Paraná, funcionam 11 colégios agrícolas com 400 alunos, sendo que a capacidade é cinco vezes maior. Com a parceria que está sendo firmada entre as secretarias da Educação, Agricultura, entidades da iniciativa privada e os pais dos alunos, todos irão contribuir com um pouco sem sobrecarregar ninguém, salienta Saliba. A Secretaria da Educação vai financiar o ensino médio regular, como faz em qualquer outra escola do sistema público estadual. E o ensino profissionalizante será financiado pelas prefeituras municipais, entidades da iniciativa privada e ainda pela contribuição mensal dos pais de alunos.
A parte que vai caber a cada um está em estudo. E a manutenção da fazenda ficará sob responsabilidade da direção do colégio que vai comercializar a produção. Com assistência e apoio da Secretaria da Agricultura, poderão comercializar a produção e gerar renda para manter a estrutura educacional.





