Colega prefere pacto social
O economista Ismael Mologni avalia que o projeto ''Brasil Sem Dívidas'' é bastante consistente do ponto de vista macroeconômico, mas que ''a dificuldade é ser exequível''. ''A experiência mundial que a literatura econômica traz é de que é mais factível e menos doloroso fazer um pacto político - entre aplicadores de dinheiro, captadores, trabalhadores, governo, banqueiros - quando o país chega a uma ruptura'', argumenta.
Mologni cita os casos das três maiores potências econômicas atuais para corroborar seu ponto de vista. ''Na Alemanha, em outubro de 1923, houve uma inflação de 29.536%. Foi feito um pacto, hoje é a terceira potência mundial. Da mesma forma, o Japão destruído da guerra tinha, em 1955, renda per capita igual à da Uganda hoje. Agora é a segunda potência com renda per capita de US$ 45 mil. E os EUA, com 12 milhões de desempregados após a quebra da Bolsa em 1929, fez o new deal (novo acordo) com os banqueiros e hoje é o que vemos.''
Ele afirma ainda que o Brasil não está longe do momento em que, falido, será forçado a se reestabelecer. ''Estamos chegando num momento de perda de auto-estima. Essa é a pior. As estradas e a saúde estão sucateadas. A situação em que estão hoje os agricultores, a classe média, começou lá atrás, nos juros altos, desde o Plano Real. É um processo lento e implacável que não é visto a curto prazo'', conclui. (V.N.)





