Joaquin Fernandez Presas, um dos sócios da franquia da Cold Stone de Curitiba, a primeira da marca norte-americana no Brasil, conta que, ao abrir a loja, em agosto do ano passado, tinha recebido dos Estados Unidos a matéria-prima estimada para 12 meses de produção. "No primeiro mês, tivemos de rever a previsão do estoque para nove meses", lembra.
As vendas surpreenderam e, em setembro, já dava para saber que a matéria-prima não duraria mais que sete meses. "Fizemos um pedido antecipado de reposição", explica. A mercadoria chegou de navio em Paranaguá em novembro, mas ficou enroscada na Receita Federal. "Para garantir, fizemos um novo pedido via aérea, pagando o dobro do preço para trazer um quinto do total da capacidade do contêiner", explica.
Em janeiro, nem o carregamento aéreo nem o marítimo estavam liberados. "No final do ano, as vendas bombaram assim como no início de janeiro e nós não conseguíamos liberar a mercadoria", afirma. Segundo ele, a Receita Federal voltou a funcionar dia 7, mas até o dia 17, a funcionária responsável pelo órgão no Aeroporto de São José dos Pinhais, não havia recebido a senha para entrar no sistema.
Lá pelo dia 10 de janeiro, o sorvete acabou e a loja ficou fechada por três semanas até que Presas conseguisse desembaraçar a encomenda. "Coloquei um funcionário para ficar o tempo inteiro em frente à loja. Contratei serviço de monitoramento de redes sociais e deixei também uma placa na loja com meu telefone", conta.
O empresário diz que se "arrepia" ao lembrar dos fatos. Ele também selecionou jornalistas da capital para uma visita ao empreendimento de forma que pudesse explicar o ocorrido. "Optei pelo caminho da transparência", ressalta.
Mesmo assim, de acordo com ele, muita gente maldisse a sorveteria nas redes sociais. "Diziam que éramos amadores, que não tínhamos planejamento. Outros afirmavam que estávamos fazendo uma jogada de marketing. Falavam de tudo, mas havia sempre alguém na rede explicando o ocorrido e minimizando o prejuízo à imagem da empresa", declara.
Até hoje, o empresário ainda sofre com a burocracia e a falta de infraestrutura brasileira na área de importação. "Os americanos não acreditam no que ocorre aqui", afirma. Presas espera que, até o fim do ano, já tenha um fornecedor no País. Ele conta que uma indústria brasileira já foi acreditada para desenvolver a matéria-prima. Em outubro, inaugura a segunda loja da Cold Stone, desta vez em São Paulo. (N.B.)

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