Colapso nipônico vai gerar efeito inverso no País
Enquanto os Estados Unidos e o Japão vivem um período de relações comerciais abaladas, o mercado imobiliário brasileiro pode se beneficiar com a crise mundial. Pelo menos para primeiro semestre de 2009, especialistas estimam um aumento na demanda por imóveis setor que concentra investimentos dos dekasseguis. Como a tendência é que a recessão se agrave no decorrer deste ano, é possível que só na segunda metade de 2009 o fluxo de dinheiro e outros títulos monetários diminuam.
Segundo levantamento da FOLHA junto ao Banco Central, foram enviados do Japão cerca de U$ 760 milhões até o mês de novembro de 2008. É possível observar que outubro concentrou a entrada de US$ 94 milhões no país e está acima da média dos outros meses de 2008 (vide quadro). Esse movimento atípico está atrelado justamente ao período mais conturbado da crise, logo na sequência da quebra do Lehman, que elevou o câmbio do dólar à casa dos R$ 2,50. Isso estimulou o envio de dinheiro, pois os dekasseguis lucraram com o câmbio alto. Havia filas de brasileiros na porta dos bancos enviando dinheiro para o Brasil, sublinhou Marcus Aurélio Gonçalves, diretor do programa Sebrae/Dekasseguis.
Durante todo o período analisado, a média de envio de remessas varia entre US$50 e US$ 60 milhões por mês. Segundo Gonçalves, dessas divisas cerca de U$ 500 milhões anuais estão concentradas no Estado do Paraná. Londrina, Maringá e Curitiba polarizam cerca de U$ 180 milhões e o restante é pulverizado nas demais cidades do entorno destes polos urbanos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística dão conta de que o Estado de São Paulo concentra o maior número de descendentes 208, 7 mil. Na sequência vem o Paraná com 143 mil distribuídos principalmente em três pólos Curitiba onde há 19 mil, Londrina bem próximo com 16 mil e Maringá com pouco mais de 9,5 mil.
O investimento deste dinheiro se dá basicamente na construção civil. A subsistência e poupança também consomem uma fatia considerável. Porém, a renda por aluguel é a primeira alternativa antes de montar qualquer tipo de negócio porque o retorno é mais garantido, analisa Gonçalves. (R.O.)





