A interrupção das atividades da unidade de Londrina da Comércio e Indústrias Brasileiras Coimbra, na semana passada, está ligada às condições das indústrias de esmagamento de soja no Brasil, que dependem das condições internacionais da demanda por farelo e óleo de soja. A afirmação é do diretor-comercial da empresa, Bruno Melcher, que falou ontem à Folha, por telefone.
‘‘Hoje, as indústrias brasileiras estão sofrendo com a competição de outras empresas instaladas em vários países do mundo’’, constata Melcher. Como exemplo, ele cita a China, país para o qual as exportações dos produtos resultantes do esmagamento da soja estão prejudicadas devido à proteção às indústrias locais. ‘‘O imposto para importação da soja pela China é zero; para o farelo é de 13%; e o óleo só é importado mediante concessão de cotas do governo chinês’’, cita Melcher. ‘‘Isso faz com que a indústria brasileira perca competitividade’’. A Tailândia, grande consumidor do farelo de soja, optou por processar o produto.
Além dos fatores externos, Melcher lembra que há ainda um agravante doméstico: o Paraná, segundo ele, não tem cumprido o que prevê a Lei Kandir, sobre transferência de crédito do ICMS. A lei desonera as exportações de bens primários. Melcher informa que a transferência interestadual da matéria-prima para a indústria continua onerada, mas o Estado não permite que o valor pago seja transferido para outros pagamentos, como o de insumos, por exemplo. A Folha não conseguiu ouvir a Secretaria da Fazendo sobre o assunto, ontem.
‘‘Nossas unidades instaladas no Paraná, que são obrigadas a se suprir de matéria-prima de outro Estado, pagam 12% do ICMS, valor creditado no Estado, mas não podem repassar aos produtos que exporta’’, diz. Os prejuízos da indústria são enormes, segundo Melcher. Segundo ele, a Coimbra vinha amargando prejuízos de US$ 20 a US$ 25 por tonelada de soja esmagada. ‘‘Na fábrica de Londrina, chegamos a esmagar 370 mil toneladas/ ano.’’ Cerca de 95% dos produtos da Coimbra vão para o mercado externo.
O encerramento das atividades de esmagamento de soja em Londrina não devem ser retomadas esse ano, conforme prevê Melcher. E não tem previsão de reativação. A indústria demitiu, semana passada, 100 dos cerca de 140 funcionários em Londrina. O presidente do Sindicato da Alimentação, Francisco Carlos Ferreira, disse ontem não ter conhecimento de ocorrência de demissões em outras indústrias de esmagamento de soja no Estado.

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