A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) está iniciando o que define como ''uma forte ação de cobrança'' e executando os mutuários que estão com as prestações de suas moradias em atraso. Dos 92.404 contratos que a companhia tem atualmente, 30.254 são inadimplentes com mais de 3 parcelas. O valor das prestações varia, na maioria dos contratos, entre R$ 20 a R$ 200. Há casos de mutuários que devem até 100 parcelas, ou seja, não pagam as prestações de seus imóveis há mais de 8 anos. Nos últimos dias, a Cohapar ajuizou em torno de 1.500 ações de cobrança e reintegração de posse.
O valor total das prestações em atraso é de R$ 160 milhões, contando também os mutuários que devem apenas uma ou duas prestações. O presidente da Cohapar, Everaldo Moreno, diz que o valor é suficiente para se construir 7 mil unidades habitacionais no Estado. A intenção da companhia é reduzir o índice histórico da inadimplência de 30% para os padrões considerados ''aceitáveis'' que são em torno de 3%.
Os imóveis que porventura sejam retomados, serão repassados a famílias que aguardam em lista de espera. ''O que estamos fazendo neste momento é um grande plano para receber as dívidas e dar oportunidade para aqueles que também precisam de uma casa'', justifica.
Moreno afirma que os devedores em atraso podem procurar os escritórios regionais da Cohapar em todo Estado, que os técnicos e assistentes sociais vão estudar caso a caso para que o mutuário não comprometa a manutenção de sua família, mas garante que não haverá perdão de juros e correção monetária.
Para ele, a situação chegou a um ponto considerado insustentável pela ''cultura da impunidade'' que se implantou no país. ''De certa forma, sempre houve um favorecimento aos maus pagadores e, no geral, o brasileiro tem o costume de tirar vantagem do que é do Estado'', afirma. Esta pratica, explica, acaba comprometendo o capital de giro da companhia que fica sem recursos para construir novas moradias. ''Os mutuários em atraso acabam se apropriando de um imóvel sem reconhecer o papel importante que o pagamento das parcelas tem na construção de moradias para outras pessoas'', afirma.
As regionais com os maiores débitos são Apucarana, Maringá e Londrina. No caso de Londrina, há uma situação atípica. O escritório da Cohapar na cidade atende 23 municipios da região, mas no caso específico de Londrina, o atendimento é feito pela Cohab-LD, que pertence ao municipio.
A Cohapar está realizando um estudo para saber qual a demanda habitacional em todos os municípios do Paraná e em todas as faixas de renda para, a partir dai, definir uma política que considera ''realista'' para o setor. ''Nós vamos deixar de fazer política de habitação no achismo'', resume Moreno, acrescentando que os números serão atualizados a cada 2 anos e que a demanda deve ser atendida até o ano de 2.023.
Atualmente, a Cohapar está construindo, com recursos próprios, 3,5 mil unidades no interior do Paraná e 3,2 mil unidades na Região Metropolitana de Curitiba pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A companhia não participa do Programa Minha Casa, Minha Vida, que é executado pelo governo federal, em parceria com a iniciativa privada.

Raio X da dívida
- Total de contratos: 92.404
- Contratos com mais de 3 prestações em atraso: 30.254
- Valor total da inadimplência: R$ 160 milhões
- Meta: reduzir inadimplência de 30% para 3%
- Objetivo: construir 7 mil unidades habitacionais em todo Estado
Fonte: Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar)

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