Órgãos municipais e estaduais de habitação querem recuperar a autonomia financeira para investir em moradias destinadas a famílias de baixa renda. Esse é um dos principais pontos discutidos no 49º Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Presidentes de Cohabs e Órgãos Assemelhados, que começou ontem em Londrina e se estende até a tarde de hoje.
O evento marca a posse do atual presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Carlos Eduardo de Afonseca, como presidente também da Associação Brasileira de Cohabs e Órgãos Assemelhados (ABC), entidade que congrega as 44 companhias do gênero existentes no país. Segundo Afonseca, esses órgãos perderam força desde a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1985, quando a Caixa Econômica Federal (CEF) se tornou a principal financiadora de programas de habitação.
''Não estamos conseguindo atender às famílias de baixa renda. Por isso a necessidade de reativar as Cohabs enquanto agentes financeiros de habitação, pois elas são responsáveis por todo o processo de construção das moradias, têm mais know-how e acesso direto à população'', sustenta. Atualmente, o déficit habitacional brasileiro chega a 6,5 milhões de unidades, de acordo com Afonseca. Em Londrina, 7 mil famílias estão inscritas na Cohab, esperando por uma casa. ''Se você desburocratiza o processo, a tendência é fazer o negócio mais rápido e diminuir a demanda'', conclui.
Para o ex-presidente da ABC, Carlos Eduardo Marun, o governo federal ainda não deslanchou na área de habitação. ''O governo Lula trouxe uma boa intenção, mas temos um longo caminho para que se transforme em realidade'', diz. Ele argumenta que a extinção do BNH foi um ''equívoco'', e que os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não estão chegando à população com renda inferior a três salários mínimos.
''A Caixa (CEF), em muitos momentos, é obrigada a funcionar como um banco comercial. Ela se preocupa com o balanço financeiro, e não com número de casas construídas. Precisamos de um sistema que afaste o setor habitacional das normas e parâmetros dos bancos'', completa. A reivindicação foi encaminhada ao ministro das Cidades, Olívio Dutra, que também participou ontem do evento.
O secretário de Habitação do Paraná, Luiz Cláudio Romanelli, engrossa a crítica aos entraves burocráticos do financiamento via CEF. ''O Sistema Financeiro de Habitação está desmontado, as cidades paranaenses empobreceram nos últimos anos. Segundo dados da Cohapar (Companhia de Habitação do Paraná), temos um déficit de 432 mil unidades habitacionais no Estado, para quem ganha até cinco salários mínimos'', destaca.

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