Brasília - Apesar de o Brasil ter se tornado o maior produtor mundial de carne, os custos da pecuária de corte no País estão subindo e poderão aumentar ainda mais. O alerta foi feito ontem pelo presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira.
''Desde o final do ano passado, os fornecedores de insumos estão elevando os preços dos produtos para compensar o aumento da Cofins. O governo disse que não haveria aumento de custos, mas na verdade os preços estão subindo e é o setor produtivo que vai arcar com esses gastos'', afirmou Nogueira, referindo-se à elevação de 3% para 7,6% da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), alteração que vale desde 1º de fevereiro.
Se os preços da arroba do boi gordo não subirem nos próximos meses, a tendência é de que os pecuaristas reduzam os investimentos na pecuária de corte, alertou o assessor técnico da CNA, Paulo Mustefaga. Ele lembrou que, embora os custos tenham subido nos últimos meses, os preços da arroba do boi gordo recuaram.
Em janeiro, enquanto os custos aumentaram 0,29% na média de nove estados pesquisados, segundo estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) e da CNA, o preço caiu 0,89%.
Apesar deste aumento de custos, e da pressão dos pecuaristas para um reajuste, ainda existem dúvidas se esse aumento chegará na mesa do consumidor, em razão da queda da renda do brasileiro, segundo analistas do setor. O aumento dos custos em janeiro é resultado da antecipação da alíquota maior da Cofins, completou Nogueira.
O levantamento, feito desde março do ano passado em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo, mostra que, de março a dezembro de 2003, os custos totais da pecuária aumentaram 6,9%.
''O levantamento sinalizou que alguns agentes anteciparam o aumento da alíquota. A alta é maior nos insumos que são importados, como fertilizantes, medicamentos e alimentação animal'', explicou Mustefaga.
Para reclamar da situação, a CNA deve encaminhar, ainda nesta semana, documento ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O documento, informou Nogueira, pedirá maior fiscalização da área econômica do governo. ''As empresas fornecedoras de insumos sinalizam que aumentaram os preços de acordo com o aumento da Cofins, ou seja, cerca de 4,6%'', disse. Entre março e dezembro, os preços da arroba do boi gordo subiram 1,8%.
Os preços dos adubos, mostram o estudo, subiram 1,92%, maior alta para o mês. Os custos com máquinas e implementos agrícolas subiram 1,38%. Na direção inversa, os preços das sementes forrageiras caíram 0,73% no mês, o que mostra que o pecuarista não está investindo na recuperação das pastagens.

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