Cofercatu pode arrendar parte dos bens
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sábado, 06 de março de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Mais uma cooperativa agropecuária do Norte Paraná passa por grave crise financeira. Depois da Corol Cooperativa Agroindustrial de Rolândia, agora a Cofercatu, com sede em Porecatu (Região Norte) irá realizar assembleia para discutir com os 860 cooperados saídas para garantir a manutenção das atividades. ''Num primeiro momento estamos pensando em arrendar momentaneamente a posse de parte dos bens para dar fôlego às operações da cooperativa'', admitiu José Otaviano de Oliveira Ribeiro, presidente da Cofercatu. A cooperativa está entre as menores do Paraná em número de cooperados.
Estão marcadas duas assembleias - extraordinária, no próximo dia 18; e ordinária, dia 30; - e devem ser debatidos a autorização ao Conselho de Administração eleito para operar bens imóveis em financiamentos e empréstimos em operações de capital de giro, repasses e de investimentos. Segundo Ribeiro, a cooperativa registrou ''contabilidade negativa'' no ano passado, em decorrência das chuvas ininterruptas que comprometeram a produção, que tem no setor sucroalcooleiro sua principal fonte de renda. ''Já tínhamos problemas anteriores que esperávamos sanar no ano passado, mas com a baixa produtividade os problemas pioraram'', disse.
No entanto, a situação foi agravada durante essa semana, quando parte dos trabalhadores ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) invadiu a usina da cooperativa e a fazenda do presidente, ambas localizadas em Florestópolis. Na sexta-feira eles deixaram a propriedade depois que os salários dos funcionários, que estavam atrasados desde janeiro, foram pagos. Segundo Ribeiro, o primeiro mês do ano foi um dos piores enfrentados pela cooperativa ''É um problema gravíssimo, pois mexe com a gente'', lamentou, referindo-se ao atraso dos vencimentos.
Segundo ele, uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho já havia sido realizada para acertar com o sindicato dos trabalhadores a melhor data para o pagamento. ''Já foi tudo pago e inclusive acertamos o salário de fevereiro, mas não sabemos o que acontecerá daqui para frente'', declarou Ribeiro, reforçando que tem buscado apoio financeiro para a Cofercatu há seis meses, sem sucesso. ''Estávamos correndo atrás de um financiamento, mas com a demora da aprovação, a situação apertou tanto que não conseguimos pagar o salário de janeiro'', justificou.
Ele busca agora outras alternativas financeiras para que não ocorram novos atrasos no salário dos funcionários. Segundo o presidente, para quitar a última folha de pagamento, a cooperativa realizou uma venda futura de açúcar, mas ainda falta recurso para continuar funcionando.


