Código do Consumidor ainda é ignorado
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segunda-feira, 15 de março de 2004
Betânia Rodrigues<BR>Reportagem Local 
No Dia Mundial do Consumidor comemorado ontem a conclusão é que boa parte dos brasileiros desconhece a existência do Código de Defesa do Consumidor. O coordenador do Procon/Londrina, Gerson da Silva, admite que há pouca divulgação sobre esse instrumento criado pela lei nº 8.078, em 11 de setembro de 1990. ''Por isso, o desrespeito ainda é tão grande. Felizmente, o crescimento na quantidade de reclamações e casos solucionados tem aumentado com a ajuda da imprensa'', completou.
Para lembrar a data, o Procon, o Instituto de Pesos e Medidas (IPEM) e a Vigilância Sanitária Municipal instalaram uma barraca no Calçadão para informar e atender a população. ''Foi uma experiência muito proveitosa que deveremos repetir mais vezes e até descentralizar pelos bairros'', disse Silva que planeja a próxima edição para maio.
Num raio máximo de 50 metros a partir dessa barraca a reportagem da Folha de Londrina conversou com algumas pessoas que nem suspeitavam do trabalho executado ali. A empregada doméstica Luzia Ferreira disse que nunca ouviu falar do Código de Defesa do Consumidor mas, como muitos cidadãos, precisou dele em várias ocasiões. ''Um dia, comprei uma extensão elétrica que não funcionou e quase queimou tudo em casa. Voltei à loja e o vendedor não trocou o produto porque, segundo ele, eu não soube usá-lo'', lembra. A cozinheira Ieda Souza Santos nunca procurou o Procon porque não sentiu necessidade, mas ela não sabia que passar mais de 20 minutos numa fila de banco é motivo de queixa. O pintor de obras Marcelo José Damico também ignora seus direitos de consumidor, no entanto, tem consciência que paga juros altos cada vez que compra a prazo. ''Quando não sou atendido a contento procuro outro estabelecimento porque não gosto de discutir'', afirma o operário. Entre cinco entrevistados o único que garantiu brigar pelo cumprimento da lei foi o corretor de imóveis Francisco Gonçalves. Ele disse que sempre exige nota fiscal e, quando sente-se prejudicado, não exita em reclamar. ''Infelizmente, as pessoas são comodistas e 40% dos comerciantes não respeitam o consumidor'', opina.


