Os projetos dos próximos lançamentos de carros - o Marea, da Fiat, e o Corolla, da Toyota - terão que ser refeitos se a nova regulamentação do Código de Trânsito mantiver a obrigatoriedade de cintos de três pontos e apoios de cabeça para todos os ocupantes para os carros a serem produzidos. Pior ainda: o projeto de cada carro que circula do Brasil - à exceção de alguns super luxuosos - teria de ser reelaborado.
O presidente da comissão de assuntos técnicos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Marco Saltini, afirma que é mais fácil fazer a modificação nos veículos que ainda serão lançados. ‘‘No caso do Marea ainda estamos na fase de projeto do veículo’’, disse Saltini, que trabalha na Fiat.
O Marea é o primeiro próximo carro a ser lançado no Brasil. O modelo de luxo da Fiat chega ao mercado em abril. O Corolla, da Toyota, será lançado em outubro. Saltini considera que houve ‘‘um desvio de comunicação’’ na resolução do código quando foi estabelecida a obrigatoriedade do cinto de três pontos e encosto de cabeça para todos os ocupantes do banco traseiro incluindo os carros em circulação. Por orientação dos fabricantes, que consideram um risco a instalação dos equipamentos nos carros usados, a lei deverá ser alterada. Mas resta a dúvida sobre os carros produzidos a partir de janeiro de 1999.
Risco Saltini lembra que a indústria deveria receber uma informação deste tipo com uma antecedência de cinco anos. ‘‘Na Europa é assim’’, disse. Este é o prazo para que cada montadora projete um carro. ‘‘Desta forma cada fabricante poderia optar entre investir na reelaboração de um projeto de carro já existente ou troca por outro totalmente novo’’, destaca. ‘‘Muitas vezes o investimento na modificação de um carro já no mercado não compensa’’, completa.
O assessor técnico da Fiat, Carlos Henrique Ferreira, não recomenda a instalação de equipamentos de segurança em carros da frota. ‘‘Uma colisão de 50 quilômetros por hora faz com que uma pessoa de 70 quilos exerça no cinto de segurança força equivalente a 600 quilos’’, explica. ‘‘Imagine o que aconteceria num cinto instalado inadequadamente’’, completa.
Os dirigentes das montadoras consideram o novo Código de Trânsito importante, mas alertam para os riscos da segurança. ‘‘A concepção é boa, mas a aplicação é complicada se for levado em conta que equipamentos tenham que ser colocados em 16 milhões de veículos em circulação’’, destaca o superintendente da Toyota, Shoji Shimo. Para o superintendente da Fiat, Giovanni Razelli, carros mais velhos ainda apresentam outros riscos, como emissões de poluentes em excesso.

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