Codesul busca investimentos de japoneses
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de novembro de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os estados do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) - Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso - estão interessados em aumentar a parceria de investimentos e exportações com empresários japoneses. De janeiro a setembro deste ano, o Paraná exportou US$ 7,4 bilhões em produtos para vários países. Deste valor, US$ 119 milhões foram para o Japão (principalmente congelados de frango, óleo de soja, injetores para motores). Em 2004, foram exportados US$ 195 milhões para 91 empresas japonesas que compraram 160 produtos diferentes. ''Estes índices podem ser ainda melhores'', afirmou ontem Virgílio Moreira Filho, secretário de Estado da Indústria e Comércio, durante o I Seminário Econômico Codesul-Japão.
Moreira Filho mostrou os incentivos fiscais ofertados pelo Paraná para empresas que se instalam em municípios do interior do Paraná e que sejam consideradas como estratégicas. Entre os benefícios mais citados estão os que isentam ou dilatam prazos para pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Lélio Miguel Antunes de Souza, mostrou o interesse bancário em investir em empresas com potencial de crescimento e de geração de empregos. Ele afirmou que os estados do Sul têm oportunidades diversas nas áreas de agroindústria, celulose, metal-mecânica, química, transformação plástica, microeletrônica e softwares.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Costa da Rocha Loures, lembrou que o Brasil é um dos dez países que mais tem produções científicas em universidades. Entretanto, poucas produções chegam a se transformar em produtos por falta de investimentos privados. ''Precisamos de pessoas que queiram fazer um aproveitamento inteligente e articulado das inovações que podem ocorrer a partir do que já existe aqui no Brasil.
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), disse que já tem mantido bons negócios com os japoneses. Mas pretende ampliar estes trabalhos. Principalmente atraindo para o estado gaúcho tecnologias de informação. ''O intercâmbio é fundamental. Já somos hoje o quarto estado em exportações para o Japão e podemos melhorar este índice. Além disso, o Japão é um país de ponta em tecnologia da informação e poderia nos auxiliar com o know-how que já tem'', declarou ele.
Um dos integrantes do Brasil-Japão para o Século XXI, Paulo Yakota, cobrou do Brasil um aprofundamento dos incentivos para que as indústrias japonesas possam ser instaladas no Sul. Ele criticou os juros altos, os tributos brasileiros e o chamado ''Custo-Brasil''.
O governador Roberto Requião (PMDB) disse que não poderia dar incentivos maiores do que os que são normalmente oferecidos (fiscais, imóveis, luz). O compromisso teria que ser, primeiramente, com o social. ''Se querem benefícios humanos, com salários mais baixos, estes incentivos não ocorrerão. Temos compromisso com cidadania, desenvolvimento social. Queremos muito a parceria, mas para crescermos como o Japão cresceu um dia. Não queremos ser um País que viva apenas como um alicerce para outros países'', arriscou Requião.


