Cláudia Lopes
De Londrina
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Farage Kouri, percorreu ontem pela manhã dez empresas instaladas no Cilo Industrial 5, na zona sul de Londrina. O objetivo da visita foi ‘‘estreitar os laços’’ com os empresários locais para levantar quais dificuldades podem ser resolvidas com a ajuda do município, além de ver de perto áreas que foram doadas ou vendidas pela Codel mas que não foram ocupadas porque os empresários não cumpriram os contratos com a companhia. ‘‘Cerca de 20 áreas podem ser retomadas para servir a outras empresas que precisem se instalar na região’’, disse Kouri.
As reclamações mais frequentes dos industriais do Cilo 5, em contrapartida, são sobre o fato de se sentirem preteridos em relação às indústrias de outras localidades. ‘‘Até agora, o município privilegiou as empresas de fora em detrimento das que já estão instaladas’’, reclamou o empresário José Rossi, proprietário da Água Limpa Poços Artesianos, que funciona no cilo há três anos.
‘‘Não conseguimos pegar obra pública porque a prefeitura não exige um cadastro onde conste o pagamento de tributos como ISS, por exemplo. Por causa disso, acabamos perdendo as obras para empresas de fora que não recolhem o tributo e não contribuem com o município, através de geração de mão-de-obra’’, exemplificou Rossi. O empresário, que tem 16 funcionários, investiu R$ 1,5 milhão no negócio.
O presidente da Associação Industrial da Zona Sul, Antonio Brassal, discutiu com Farage Kouri a possibilidade da companhia estudar a liberação da escritura de alguns terrenos (ainda não quitados) para que os empresários possam usá-los como garantia para obter financiamentos. ‘‘Muitas empresas de fundo de quintal se instalaram no cilo com recursos próprios e não conseguiram pagar a dívida com a Codel porque o dinheiro acabou’’, disse Brassal, que também é proprietário da Pietá, uma fábrica de artefatos de cimentos na linha decorativa.
Para discutir este tipo de problema, Kouri resolveu marcar uma reunião com os empresários do Cilo 5 para sexta-feira, às 10 horas, na Codel. ‘‘Vamos colocar todas as sugestões no papel’’, disse. Na semana que vem, ele visita outros cilos indutriais da cidade a fim de fazer o mesmo diagnóstico.
A Codel tem hoje cerca de 40 solicitações de doação de terrenos para instalação de empresas em Londrina. Como a demanda é maior do que as áreas disponíveis, a companhia quer recuperar os terrenos para repassá-los aos empresários interessados, segundo Kouri. Algumas ações de retomadas de áreas já estão tramitando na justiça. O Cilo 5 tem 98 terrenos.Farage Kouri, novo presidente da Companhia, visita empresas e promete retomar áreas ociosas para repassar a outros investidores
Paulo WolfgangRUMOSFarage Kouri (2º da esq. para a dir.) visita empresas instaladas no cilo 5: planos de estimular não só as atividades de indústria e comércio como também o setor de turismo em Londrina

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