Codel promove pente fino em doações de terrenos
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Londrina 
O Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) começou a fazer um pente fino nas leis de doação de terrenos na cidade entre 2003 e 2013, para verificar se os empresários cumpriram as determinações previstas em contrato. No total, 155 leis foram analisadas, das quais 40 foram revogadas ou substituídas por outras com prazos diferentes. Outras 11 áreas doadas foram recuperadas no período e quatro pedidos de devolução estão em andamento na Justiça, o que pode liberar mais 110 mil metros quadrados (m²) para a instalação de empreendimentos na região.
A Codel encerrou a revisão dos processos nesta semana e a expectativa é fazer visitas aos empreendimentos até o fim do mês, para apurar se exigências como investimentos, áreas construídas, empregos e impostos gerados estão dentro do cronograma. A decisão de analisar as leis ocorreu depois de denúncia de suspeita de corrupção para aprovação de projetos, que levou ao afastamento de dois funcionários de carreira e ao indiciamento de mais sete pessoas, entre empresários e supostos facilitadores no esquema. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga o caso.
Dos quatro terrenos que a Prefeitura pretende recuperar, um tem 100 mil m². A área foi doada na gestão anterior para a TMT Memory Group, do empresário Charles César Sens de Oliveira. A proposta para o empreendimento era de construir uma fábrica de 58 mil m², com R$ 125 milhões em investimentos e de 3 mil a 10 mil empregos. Porém, ele conseguiu levantar os recursos com uma marca sul-coreana. O terreno, que fica atrás da Universidade Tecnológica Federal do Paraná e que foi doado no fim de 2010, está hoje coberto por mato e por uma lavoura.
O presidente da Codel, Bruno Veronesi, afirma que chegou a obter um acordo amigável para a devolução da área, mas depois de não conseguir mais contato com o empresário, encaminhou o caso à Procuradoria Geral do Município. "Eles não começaram a obra e não devem conseguir a inauguração dentro do previsto pelo prazo da lei. No local, podemos colocar dez ou 20 empresas", diz Veronesi.
Ele conta que 73 empresários estão à espera de doação de áreas em Londrina para novos empreendimentos. A cidade sofre com a falta de espaços com infraestrutura para condomínios empresariais, o que emperra os investimentos e a geração de empregos. Há ações para a devolução de outros três terrenos, com áreas entre 2 mil m² e 3,6 mil m².
Apesar das 15 doações que foram recuperadas ou estão em processo de cancelamento, Veronesi não considera o número alto. "Em dez anos foram mais ou menos 10% do total, o que é significativo, mas não chega aos 60% que andaram falando por aí. E poderão ser doados de novo."
TMT
O responsável pela TMT foi procurado durante toda a tarde de ontem em telefones indicados por pessoas próximas a ele, mas não foi encontrado. O advogado Ricardo Cremonezi disse que não representa mais Oliveira desde janeiro e que não sabe do paradeiro do empresário. A advogada Ludmila Simões, que atende Oliveira, também foi procurada na tarde de ontem, mas não respondeu às ligações da reportagem.
Segundo a advogada do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina e Região, Cristiane Bergamin, a falta de recursos levou ao pedido de uma ação coletiva para rescisão na Justiça de 28 ex-funcionários e há ao menos outros 22 processos trabalhistas na entidade. Ela afirma que um processo de recuperação judicial da TMT, proposto por um credor, está em julgamento na 2ª Vara Cível de Londrina.



