O presidente do Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Nado Ribeirete, disse que não se pode analisar os números do PIB isoladamente, porque as cidades têm características diferentes. "Você pega, por exemplo, uma empresa de Maringá que fatura R$ 2 milhões e isso dará um resultado específico do PIB que fica concentrado em poucas pessoas", avaliou Ribeirete.

Segundo ele, é preciso considerar a região metropolitana, já que a cidade é referência e algumas empresas acabam se estão se instalando em cidades como Ibiporã e Cambé. "Não se pode tratar Londrina individualmente. É preciso fazer uma análise melhor", defendeu.

Entretanto, o presidente da Codel concorda que Londrina precisa se industrializar para melhorar e, para isso ocorrer, segundo ele, a administração municipal está trabalhando para a desburocratização e implantação do parque industrial. "Estamos com o projeto de desburocratização, de fazer uma normativa clara e simplificada."

Para o economista Robson Gonçalves, professor da ISAE/FGV (Fundação Getúlio Vargas), a melhor forma de analisar o resultado é comparando Londrina com Curitiba, uma cidade com maior diversidade econômica. "A distância do PIB per capita das duas diminuiu. Em 2010, o PIB per capita de Londrina era 64% do da capital; em 2015, representa 72%. Claro que municípios com uma indústria global terão um desempenho melhor, mas Londrina tem uma grande diversidade de serviços e também um peso grande do agronegócio."

Gonçalves disse que o hiato de renda per capita é menor nas cidades com boa participação do agronegócio. Durante o início do Plano Real, com a desvalorização do câmbio, os municípios calcados no agronegócio tiveram um desempenho melhor. Agora, com a valorização do dólar, o processo está se invertendo.

"À primeira vista os números enganam. Maringá e Cascavel, por exemplo, estão tendo o retorno das vacas magras do Plano Real. O PIB de Londrina, por outro lado, por ser calcado em serviços, tende a ser mais estável. E para fazer negócios essa estabilidade é positiva. Neste caso, menos é mais", avaliou.

CENÁRIO NACIONAL
Em 2015, mais de 30% dos municípios dos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram PIB per capita superior ao nacional (R$ 29.323,58). Os 10 municípios com os maiores PIB per capita tinham baixa densidade demográfica. Juntos, eles somavam 1,3% do PIB brasileiro e apenas 0,1% da população.
Quanto às principais atividades econômicas por eles desenvolvidas, Presidente Kennedy (ES), São João da Barra (RJ) e Ilhabela (SP) eram produtores de petróleo, e Paulínia (SP) e São Francisco do Conde (BA) tinham indústria do refino. Louveira (SP) concentrava centros de distribuição de grandes empresas e Triunfo (RS) era sede de polo petroquímico. Já Selvíria (MS) e Araporã (MG) possuíam hidroelétrica, enquanto Gavião Peixoto (SP) tinha indústria de outros equipamentos de transporte. (A.M.P)

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