Se depender da empresa capixaba D’Martins Green Coconuts, quem circular pelas ruas centrais de Londres, Paris ou Roma vai escutar em breve o chamado familiar: ‘‘Olha o coco gelado.’’ A D’Martins, sediada em São Mateus, no Espírito Santo, é uma das maiores produtoras de cocos verdes no Brasil – cerca de cinco milhões de unidades por ano. Desde o final do ano passado, a empresa decidiu tentar ser a primeira a exportar as frutas para a Europa. Já vendeu dez mil cocos para um distribuidor na França, dez mil na Itália e está finalizando um contrato similar com um distribuidor britânico.
‘‘A demanda na França foi excelente e já estamos negociando uma nova venda’’, disse Júnior Magalhães, diretor de marketing da D’Martins sediado em Londres. ‘‘Aqui na Inglaterra, estamos fechando com um distribuidor que vai colocar o coco nos supermercados. O potencial é enorme.’’ Os próximos alvos do coco brasileiro serão a Espanha e a Alemanha.
Os planos da D’Martins são ambiciosos. A empresa pretende criar um selo para a fruta e promover uma campanha de marketing na Inglaterra para os consumidores e principais supermercados. Além disso, quer patrocinar a instalação de quiosques em pontos centrais da cidade, como a Leceister Square ou Oxford Circus, para promover a fruta. ‘‘Estamos também conversando com os donos de pubs e clubs para oferecerem coco gelado aos clientes’’, disse Magalhães.
Segundo ele, o coco brasileiro vai concorrer com o proveniente da Costa Rica. ‘‘A nossa fruta é muito melhor, não há comparação.’’ Um coco gelado da Costa Rica custa cerca de R$ 3,50 na Grã-Bretanha. Antes de concluir o negócio com o distribuidor britânico, a D’Martins terá de realizar uma análise química da água do coco, exigida pelas autoridades do país.
Magalhães afirma que a iniciativa da empresa nasceu da falta de apoio do governo federal aos produtores de coco brasileiros que pretendem ampliar seus mercados. ‘‘Hoje fala-se muito em apoio à exportação da fruta brasileira, mas o coco é sempre esquecido. Fala-se muito em melão, mamão, laranja e outras frutas’’, disse Magalhães. Segundo ele, a indústria do coco gera cerca de quatro mil empregos diretos e indiretos e poderia ser fortalecida rapidamente.
Mas não é apenas o coco gelado que está entre as prioridades do proprietário da empresa capixaba, Pedro d’Martins, que também é o vice-presidente da Associação do Coco do Brasil. Ele está, junto com a Universidade de Fortaleza, promovendo uma pesquisa que poderá permitir que a água de coco engarrafada tenha uma vida de três meses sem a necessidade de componentes químicos. ‘‘Isso abriria um enorme mercado para as nossas exportações’’, garantiu Magalhães. ‘‘A água de coco que domina aqui é a tailandesa, com gosto de água salobra.’’

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