Cocamar mantém cautela sobre alta da soja
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sexta-feira, 22 de janeiro de 1999
Marcos Zanatta 
A Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar) está orientando os agricultores que começam a colher soja nas próximas semanas para que tenham cautela na comercialização. A desvalorização do real frente ao dólar deixou o setor otimista, mas segundo o vice-presidente da coopertiva, José Fernandes Jardim Júnior, a situação cambial ainda está indefinida. O ideal, diz ele, é o produtor vender o mínimo possível.
O produtor que financiou os insumos em reais para pagar na safra, já saiu ganhando. Jardim Júnior explica que o preço da soja é indexado ao dólar, e a desvalorização cambial em torno de 30% já influi na cotação. Pelo câmbio anterior, a expectativa era que o agricultor recebesse - conforme a cotação do início da semana - cerca de R$ 11,00 pela saca. Com a diferença cambial a saca deve estar em R$ 14,00. Existem no entanto fatores externos à cotação que podem reveter a tendência altista do preço da soja.
Os principais países produtores esperam safras recordes ou pelo menos dentro das expectativas mais otimistas, com a recomposição rápida dos estoques mundiais. Jardim Júnior diz que a situação, na realidade, está mais para baixa dos preços. Ele acha que a cotação pode ficar a níveis mais baixos que o preço histórico, de R$ 10,00.
O provável é que entre fevereiro e abril, com a forte pressão de oferta, o produtor receba menos dólares pela soja, afirma. Por isso a comercialização deve ser feita com cautela, sem grandes vendas a não ser o necessário para o pagamento das dívidas, orienta ele.
A médio e longo prazo, no entanto, podem ocorrer novos fatores que pressionem os preços em benefício dos produtores brasileiros. Como reflexo da grande safra, pode haver desestímulo no plantio da safra norte-americana, que começa em maio.


