Cocamar: desconfiança e falta de tradição
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 1996
Marcos Zanatta<br>Sucursal de Maringá 
O coordenador de comercialização da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar), Celso Carlos dos Santos Júnior, acha que existe pouca tradição de negócios em bolsas no Brasil. Ele garante que não existe restrição para a comercialização em bolsas por parte da cooperativa. A Cocamar e alguns de seus associados já realizaram vendas através da Bolsa de Maringá, explica.
Segundo Santos Júnior, devido as características dos negócios realizados em bolsa, com a expectativa do comprador quanto a qualidade e localização da mercadoria, existe uma certa precaução das partes envolvidas. Com os dois lados tentando se proteger fica criado um receio, que acaba refletindo no preço, nem sempre dentro das condições de mercado, afirma.
Ele explica ainda que hoje, com a ausência do governo no processo de comercialização, existe uma necessidade de se fortalecer o mecanismo de venda em bolsas. O sistema de comercialização sente mais segurança no processo de compra e venda direta, com os dois lados conhecendo os detalhes do negócio. Santos Júnior explica que para entrar na bolsa, é preciso certeza de negociação clara dos dois lados.
O ideal para as cooperativas atuarem na bolsa, diz Santos Júnior, é a oferta de mercadorias dentro das condições do vendedor. Este ano colocamos produtos disponíveis dentro das nossas condições para a venda em bolsa, mas foram fechados poucos negócios. Ele admite que qualquer mecanismo que garanta o preço futuro e que reúne um bom número de interessados, como ocorre na bolsa, é viável. Falta apenas a tradição, explica.


