ArquivoChance perdidaA indústria prometia a redenção da pequena propriedade, via diversificação A diretoria da Cocamar Citrus decidiu ontem manter a posição de fechamento da fábrica de sucos em Paranavaí , em consequência de dívidas que somam R$ 22 milhões. A fábrica, de acordo com o seu diretor presidente, Claudomiro Sirotti, será fechada nesta quinta-feira, o que vai acarretar na demissão de 150 funcionários.
Desde o início do ano a Cocamar Citrus tenta negociação com o Banestado, principal credor da cooperativa. Em fevereiro deste ano, conforme Sirotti, a Cocamar aceitou uma proposta de compra feita pelo presidente do Banestado, Neco Garcia. A negociação, entretanto, não chegou a ser concretizada porque a direção do banco passou a alegar dificuldades de ordem legal e de garantia na compra da fábrica.
Conforme Sirotti, na última negociação com o Banestado, a compra da fábrica esbarrou na dificuldade de se obter um apoio político. Diante de tanta indefinição, a diretoria da Cocamar Citrus optou pelo fechamento da fábrica. ‘‘A Cocamar Citrus pretende, com isto, dar tempo aos produtores de laranja para que encontrem alternativas de comercialização para seu produto’’, diz uma nota assinada por Sirotti na tarde de ontem.
A Folha não conseguiu falar com a diretoria da Associação dos Citricultores do Paraná. Na semana passada diante a ameaça de fechamento da fábrica de sucos, os produtores afirmaram que iriam entrar na Justiça contra a Cocamar para obter o ressarcimento dos prejuízos. Os produtores alegam que a comercialização da laranja in natura trará prejuízos.
Neco surpreso O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, disse ontem estar surpreso com a decisão da diretoria da Cocamar Citrus S/A de fechar a indústria de sucos. Segundo Neco, há duas semanas o Banestado, em conjunto com o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento Econômico), IIC (subsidiária do Banco Mundial), FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico do Paraná), a própria indústria e a associação dos produtores vinham negociando uma saída para a dívida da Cocamar Citrus. ‘‘Estávamos em plena negociação, procurando entrar em consenso para o não-fechamento da fábrica’’, disse.
Nas conversações que vinham sendo mantidas entre credores e a indústria, segundo Neco, a intenção era passar o comando da indústria para a associação dos produtores de laranja. O caminho seria a desoneração do capital e o reescalonamento da dívida. O presidente do Banestado diz que a associação dos produtores tinha sinalizado a intenção de injetar na indústria R$ 4,5 milhões, sendo que R$ 3,5 milhões viriam do FDE e o restante da própria associação. No ano passado, o FDE, que tem 38% das ações da Cocamar Citrus, já tinha aplicado R$ 4 milhões na indústria com o objetivo de aumentar o capital da empresa com a redução da dívida.
Neco afirma que a Cocamar, que é dona de 54% das ações da indústria de sucos, exigiu por estas ações o valor nominal de face para cedê-las à associação dos produtores. ‘‘Mas como o débito é muito alto e o patrimônio líquido da indústria não cobre esta dívida, as ações acabam ficando sem valor. É só fazer uma conta de mais e de menos’’, diz. Segundo o presidente do Banestado, a dívida de Cocamar Citrus soma R$ 29 milhões, incluindo os financiamentos dos bancos (R$ 18 milhões), fornecedores e a própria Cocamar. E a indústria de sucos está avaliada em R$ 12 milhões.

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