Cocamar decide fechar indústria de sucos
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segunda-feira, 30 de março de 1998
Lucinéia Parra e Guto Rocha 
ArquivoChance perdidaA indústria prometia a redenção da pequena propriedade, via diversificação A diretoria da Cocamar Citrus decidiu ontem manter a posição de fechamento da fábrica de sucos em Paranavaí , em consequência de dívidas que somam R$ 22 milhões. A fábrica, de acordo com o seu diretor presidente, Claudomiro Sirotti, será fechada nesta quinta-feira, o que vai acarretar na demissão de 150 funcionários.
Desde o início do ano a Cocamar Citrus tenta negociação com o Banestado, principal credor da cooperativa. Em fevereiro deste ano, conforme Sirotti, a Cocamar aceitou uma proposta de compra feita pelo presidente do Banestado, Neco Garcia. A negociação, entretanto, não chegou a ser concretizada porque a direção do banco passou a alegar dificuldades de ordem legal e de garantia na compra da fábrica.
Conforme Sirotti, na última negociação com o Banestado, a compra da fábrica esbarrou na dificuldade de se obter um apoio político. Diante de tanta indefinição, a diretoria da Cocamar Citrus optou pelo fechamento da fábrica. A Cocamar Citrus pretende, com isto, dar tempo aos produtores de laranja para que encontrem alternativas de comercialização para seu produto, diz uma nota assinada por Sirotti na tarde de ontem.
A Folha não conseguiu falar com a diretoria da Associação dos Citricultores do Paraná. Na semana passada diante a ameaça de fechamento da fábrica de sucos, os produtores afirmaram que iriam entrar na Justiça contra a Cocamar para obter o ressarcimento dos prejuízos. Os produtores alegam que a comercialização da laranja in natura trará prejuízos.
Neco surpreso O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, disse ontem estar surpreso com a decisão da diretoria da Cocamar Citrus S/A de fechar a indústria de sucos. Segundo Neco, há duas semanas o Banestado, em conjunto com o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento Econômico), IIC (subsidiária do Banco Mundial), FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico do Paraná), a própria indústria e a associação dos produtores vinham negociando uma saída para a dívida da Cocamar Citrus. Estávamos em plena negociação, procurando entrar em consenso para o não-fechamento da fábrica, disse.
Nas conversações que vinham sendo mantidas entre credores e a indústria, segundo Neco, a intenção era passar o comando da indústria para a associação dos produtores de laranja. O caminho seria a desoneração do capital e o reescalonamento da dívida. O presidente do Banestado diz que a associação dos produtores tinha sinalizado a intenção de injetar na indústria R$ 4,5 milhões, sendo que R$ 3,5 milhões viriam do FDE e o restante da própria associação. No ano passado, o FDE, que tem 38% das ações da Cocamar Citrus, já tinha aplicado R$ 4 milhões na indústria com o objetivo de aumentar o capital da empresa com a redução da dívida.
Neco afirma que a Cocamar, que é dona de 54% das ações da indústria de sucos, exigiu por estas ações o valor nominal de face para cedê-las à associação dos produtores. Mas como o débito é muito alto e o patrimônio líquido da indústria não cobre esta dívida, as ações acabam ficando sem valor. É só fazer uma conta de mais e de menos, diz. Segundo o presidente do Banestado, a dívida de Cocamar Citrus soma R$ 29 milhões, incluindo os financiamentos dos bancos (R$ 18 milhões), fornecedores e a própria Cocamar. E a indústria de sucos está avaliada em R$ 12 milhões.


