Cobranças aumentaram desde mês de dezembro
A falta de dinheiro é resultado dos baixos salários, da queda no volume de vendas, do desemprego e da inadimplência até mesmo entre empresários. A análise é de um gerente de empresa de cobrança que prefere não se identificar, alegando que é um simples funcionário de uma filial em Londrina.
Ele fala que o número de cobrança aumentou muito de dezembro para cá e foi até o pico em março, abril e maio. Com um único cliente na cidade (financeira), ele faz em média 600 cobranças por mês - de pessoas que não pagam a prestação do carro. Do devedor, leva 8% do valor da parcela em atraso.
A sua abordagem vai de telefonemas diários ao envio de correspondências, à notificação via cartório (depois de 10 dias de insistência) ou até mesmo à execução. Digamos que de todas as nossas cobranças, apenas 5% vão parar na mão do juiz pedindo a busca e apreensão do veículo. O gerente, como outros da área, também calcula que há um empate técnico entre o número de inadimplentes que pagam e os que não pagam. Se eu vendo 30 pares de calçado por mês, pode ter certeza que receberei o equivalente a 15 pares.
O empresário do ramo Paulo Franco de Macedo diz que de cada 100 cheques em cobrança, recupera algo entre 8% e 10%. Ele cobra 20% do valor do débito do consumidor e atua no comércio. Pela grande inadimplência, há até pouca cobrança, comenta, explicando que o serviço não é exclusivo. As empresas em geral também estão cobrando, ou se acertando com o inadimplente; três, quatro anos atrás eu tinha mais clientes.
Macedo afirma ainda que muitas vezes a empresa de cobrança só é acionada quando o diálogo entre o lojista e o cliente já se esgotou. O que aparece de dívida antiga, de gente que não está mais na cidade, é brincadeira - observa -, comentando que a execução é difícil. Além de ser um processo caro, a lei protege o mau pagador. (B.F.)





