Coamo tem crescimento de 7,3% em 2016
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
A Coamo Agroindustrial Cooperativa cresceu 7,3% no ano passado. As receitas da empresa somaram R$ 11,45 bilhões, conforme balanço apresentado aos associados nesta quarta-feira (15), em Campo Mourão (Centro-Oeste).
Apesar do desempenho positivo, o faturamento ficou abaixo do esperado. De acordo com o presidente da cooperativa, José Aroldo Gallassini, o resultado poderia ter girado em torno de R$ 14 bilhões, mas os problemas climáticos enfrentados em 2016 frearam o crescimento.
"Tivemos uma redução de 10 milhões de sacas de soja, em função da chuva no período da colheita, e 5 milhões na safrinha do milho, por causa de seca, chuva e geada", justificou o presidente. Além disso, a queda no preço do dólar fez com que o associado segurasse a soja, esperando a alta do preços. "O associado segurou a soja. Em torno de 29 milhões de sacas não foram faturadas. Ele (associado) também segurou o faturamento do insumo", disse Gallassini.
Caso essa soja fosse comercializada geraria uma receita de R$ 1,83 bilhão. Somando com os R$ 895,26 milhões em insumos que não foram faturados, a receita global da Coamo teria um crescimento de 33%, de acordo com o presidente.
As sobras destinadas aos cooperados totalizaram R$ 338,26 milhões e começam a ser distribuídas nesta quinta-feira. O patrimônio líquido da cooperativa atingiu os R$ 4,19 bilhões, representando um crescimento de 14,7% em relação ao ano anterior.
DESEMPENHO POSITIVO
Mesmo sem o crescimento esperado, Gallassini avaliou como positivo o desempenho da cooperativa. "No primeiro semestre, a quebra da safra de soja brasileira e as preocupações com os efeitos da La Niña sobre a safra norte-americana suplantaram o impacto da queda do dólar e refletiram em preços elevados aos associados, atingindo os maiores preços já praticados pelo mercado", salientou.
Para 2017, a Coamo trabalha com estimativa de receber 120 milhões de sacas (7,2 milhões de toneladas) entre soja, milho e trigo. No ano passado, a cooperativa recebeu 6,60 milhões de toneladas de produtos. "O mundo está com bons estoques de soja, então não acredito em grandes explosões de preço este ano. Mas, caso ocorram grandes mudanças climáticas nos Estados Unidos, isso pode mexer com os preços. Em relação à produção estamos esperando um bom ano, em relação ao preço temos que aguardar", comentou.
A queda do dólar, que fechou nesta quarta-feira em R$ 3,067 na venda (-0,94%), menor valor desde de junho de 2015, preocupa o setor. "Estamos esperando para ver qual será a medida do governo em relação a essa queda do dólar. Não pode baixar de R$ 3 porque vai atingir os exportadores", afirmou Gallassini.
A Coamo industrializou 1,56 milhão de toneladas de soja; 196,30 mil toneladas de trigo; 3,01 mil toneladas de café beneficiado e 5,32 mil toneladas de algodão em pluma. O setor de alimentos faturou R$ 984,14 milhões e lançou mais um produto no mercado: o Café Coamo Extraforte.
INVESTIMENTOS
A cooperativa inaugurou neste começo de ano o Posto de Recebimento de Ivailândia, em Engenheiro Beltrão (Noroeste), e iniciou a construção de duas industrias, em Dourados (MS). Uma de processamento de soja com capacidade para 3 mil toneladas/dia, e uma refinaria de óleo de soja para 720 toneladas/dia. O investimento nas duas obras é de R$ 650 milhões.
Também estão sendo investidos R$ 100 milhões na construção de armazéns no Porto de Paranaguá. Ao longo do ano passado, 118 unidades, compreendendo indústrias e entrepostos, foram modernizadas e ampliadas. O total de investimentos foi de R$ 391,57 milhões.


