As cooperativas estão adiando a compra de insumos para o plantio da safra de trigo em função da instabilidade da taxa de câmbio. A Coamo (Cooperativa Agricola de Campo Mourão) pretende prorrogar até o final deste mês a compra de fertilizantes e de defensivos agrícolas para as culturas de inverno. No ano passado, nessa mesma época, a cooperativa já estava adquirindo os primeiros lotes de fertilizantes e defensivos agrícolas para o plantio de trigo que começa em abril, informou o gerente de compras José Varago.
Varago acredita que neste período o mercado estará acomodado e os produtores terão mais segurança para negociar o preço dos insumos. Se a cooperativa comprar agora, corre o risco de comprar com a taxa em alta e depois não vai conseguir competir no mercado. Por enquanto ela está adquirindo defensivos agrícolas e inseticidas para o plantio do milho safrinha e fungicidas para aplicação durante o ciclo final da soja. Esses insumos estão sendo negociados com a taxa de câmbio fixada entre R$ 1,60 e R$ 1,80.
A preocupação da cooperativa é com o preço dos fertilizantes, insumo básico para o início do plantio de trigo. Segundo Varago, as empresas fornecedoras estão repassando a taxa cambial quase ‘‘cheia’’, entre R$ 1,90 e R$ 2,00, o que implica num aumento de até 50% no preço do produto.
Em relação aos defensivos para a cultura do trigo, Varago disse que as compras podem ser proteladas porque a aplicação de defensivos e fungicidas ocorre com a lavoura já implantada. Se as empresas não concordarem em reduzir a cotação do câmbio na venda de fertilizantes, certamente os produtores vão reduzir a aplicação de tecnologia. ‘‘Com o preço em alta, o produtor não quer saber se vai prejudicar a produtividade da lavoura e compra produtos mais baratos com fórmulas menos concentradas, embora este comportamento não é recomendado pela cooperativa’’, frisou.
Com a alta no preço dos insumos para o plantio de trigo, os produtores não ficaram entusiasmados com o anúncio do reajuste do preço mínimo de garantia do produto. Segundo cálculos da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), a variação no custo dos insumos aplicados nas lavouras de trigo foi de 21% somente entre janeiro e fevereiro, por conta da desvalorização cambial. Essa variação pode invalidar o aumento do preço do trigo que será proposto pelo ministério da Agricultura. Antes da desvalorização da moeda o setor produtivo estava reivindicando um preço mínimo de R$ 175,00 a tonelada para compensar a inflação ocorrida desde março de 1996, quando o preço do trigo foi fixado em R$ 157,00 a tonelada para o trigo tipo 1 superior.
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, informou que os estudos para fixar o preço de garantia do trigo estão sendo concluídos e serão submetidos à aprovação da área econômica do governo. Ele não revelou sobre o valor que será fixado, mas antecipou que ficará acima de R$ 175,00.

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