Vânia Casado
De Paranaguá
A Cooperativa Agropecuária de Campo Mourão vai eliminar uma fase de intermediação no processo de exportação da soja e derivados. Para isso está introduzindo, de forma pioneira, um sistema de exportação que consiste na venda CIF, onde ela se responsabiliza pela entrega do produto diretamente ao cliente que encomendou a mercadoria. O sistema está sendo implantado nesta safra.
Até o ano passado, como as demais empresas exportadoras, a Coamo efetuava as vendas no mercado externo FOB (entregava o produto no porto e depois de embarcado não tinha mais responsabilidade). ‘‘Agora, a Coamo atende à demanda criada pelos clientes europeus que querem ter mais condições de fazer a rastreabilidade do produto comprado’’,disse o superintendente de comercialização da Coamo, Roberto Petrauskas.
Para a cooperativa, a vantagem do novo sistema é o aumento da receita porque vai eliminar a intermediação das empresas que compram a soja e farelo aqui no Brasil e revendem na Europa. A introdução do sistema está sendo possível com a entrada em operação do novo armazém da Coamo no terminal do Porto de Paranaguá, que foi inaugurado ontem. O novo armazém tem capacidade para 55 mil toneladas a granel e capacidade de embarque de 3 mil toneladas por hora.
Com esse suporte, a Coamo tem condições para atender, sozinha, a necessidade de carga de um navio que vai de 30 mil a 40 mil toneladas. ‘‘Antes, tínhamos que recorrer a cargas de outras empresas para lotar um navio’’, disse. Petrauskas afirmou que com isso o cliente terá garantia de que o produto importado não é transgênico, já que a carga será separada no porto e a produção recebe acompanhamento na lavoura.
A previsão da Coamo é exportar com o modelo CIF, cerca de 350 mil toneladas de farelo esse ano para a Alemanha e França. Segundo Petrauskas, ainda não será possível exportar a soja em grão no novo sistema porque o produto entra no pool dos terminais privados existentes no Corredor de Exportação. Mas ele acredita que a tendência é vender a soja em grão no modelo CIF também.
Para o presidente da Coamo, José Aroldo Galassini, a inauguração do novo armazém vai contribuir para a reversão de um antigo problema que é o prêmio negativo, dado aos exportadores no Porto de Paranaguá. Após a conclusão da modernização do Corredor de Exportação, que passará a ter uma capacidade de embarque de 32 milhões de toneladas por ano, Galassini acredita que Paranaguá voltará a ser o porto mais procurado pelos exportadores. Todos os terminais privados estão fazendo investimentos para modernização do Corredor de Exportação, em parceria com o Porto de Paranaguá.
Até o ano passado os exportadores vinham perdendo de US$ 2 a US$ 4 por contrato fechado, e esse prejuízo, embora bancado por eles, vinha refletir no produtor já que esse custo é descontado nas margens da intermediação, para trás. O prêmio negativo era dado em função da demora nos embarques que chegavam a ser superiores a 30 dias. O prejuízo para essa demora varia de US$ 10 mil a US$ 20 mil por dia.Com a inauguração do armazém em Paranaguá, cooperativa passa a enviar produto diretamente aos clientes no exterior, eliminando intermediários
Mauro FrassonSOLENIDADE Governador Jaime Lerner discursa durante inauguração da unidade de armazenagem da Coamo em Paranaguá

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