Campo Mourão - Mais de três mil pessoas, entre agricultores, agrônomos e estudantes de agronomia estão participando nesta semana do 15º Encontro de Cooperados na Fazenda Experimental da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo). O evento, que é realizado todo ano, destina-se a divulgar os resultados dos principais experimentos da fazenda. Desta vez, entre as 150 parcelas demonstrativas, nove são de novas experiências.
''Nosso objetivo é mostrar pouca coisa para poder mostrar bem'', explica o gerente da Fazenda Experimental, Joaquim Mariano Costa. Segundo ele, o maior interesse dos participantes são pelas estações que falam sobre o fungo e a ferrugem que atingiram a soja. Em cada estação, a demonstração dos resultados dos experimentos é feita por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnologico e Econômico (Coodetec) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), além da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Federal do Paraná.
Pelo terceiro ano consecutivo, a Coamo dá atenção especial à integração lavoura-pecuária. ''Estamos mostrando os resultados alcançados nesses três anos e partindo para um projeto mais complexo'', explica Costa. São duas estações que tratam do assunto. O novo projeto experimenta outras raças de gado e testa outras variedades de forragens, além da própria altura do pastejo.
''O sistema já se mostrou extremamente rentável, com aumento de rentabilidade de 25% para o agricultor, mas queremos dar mais respostas aos cooperados'', conta Costa. Em cada estação, os produtores têm uma aula de 45 minutos. Eles conhecem novas varidades de milho e soja, novas tecnologias e novos métodos para o controle de pragas, incluindo demonstrações práticas.
''Essa oportunidade de ficar frente a frente com os pesquisadores nem os estudantes de agronomia têm'', disse o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini. ''Isso é bom para o próprio pesquisador, que sente do usuário o que está acontecendo''. Segundo ele, atualmente não se justifica que um agricultor produza 45 sacas de soja por hectare enquanto o vizinho obtém produtividade de 74 sacas. ''Quem produz pouco tem que se sentir ofendido'', frisou.
Gallassini apresentou números que mostram a evolução da produtividade nos últimos oito anos. Até 1994, 29,9% dos cooperados da Coamo colhiam menos de 41 sacas de soja por hectare. Atualmente o percentual é de 11,7%. Por outro lado, a produção acima de 62,4 sacas/hectare passou de 12% para 37,2%. Acima desta produtividade a expansão foi de 1,7% para 8,1% no período.
''Os cinco maiores produtores colheram 79,75 sacas por hectare e essa é a nossa referência'', desafiou Gallassini. No milho, a média de 71 sacas por hectare saltou, em oito anos, para 121 sacas. Os cinco maiores produtores colhem 188,84 sacas por hectare. ''É uma evolução fantástica'', disse o presidente da Coodetec, Irineu da Costa Rodrigues, lembrando que a Coamo foi pioneira na realização de dias de campo.

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