Coamo distribui R$ 54 milhões para cooperados
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão Os agricultores associados à Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) vão usar a maior parte do dinheiro das sobras em investimentos para a colheita que está sendo iniciada. Ontem, a cooperativa liberou R$ 39 milhões em sobras para os seus 17 mil cooperados. No total, a parte do lucro destinada aos associados chegou a R$ 54 milhões, mas R$ 15 milhões já tinham sido antecipados em dezembro. Cada cooperado recebe um valor proporcional à produção entregue na Coamo e aos insumos adquiridos na cooperativa.
''Vamos fazer uma revisão geral nas máquinas e dar a entrada para a compra de uma semeadeira'', disse o agricultor José Carlos Ramos Pinto. Junto com o pai e um irmão, ele cultiva uma área de 193,6 hectares em Luiziana (35 km ao sul de Campo Mourão). A família recebeu cerca de R$ 20 mil. Ontem de manhã, Ramos estava na loja de peças da Coamo fazendo as compras: ''Temos que aproveitar.''
Jaime Neitzke, 43, dono de 145 hectares em Campo Mourão, recebeu um cheque de R$ 6 mil pelas sobras; o dobro dos R$ 3 mil que já havia recebido na antecipação de dezembro. Ele vai usar o dinheiro para fazer uma revisão na colheitadeira. ''Quero me preparar para uma colheita segura e tranquila'', explicou. Neitzke ainda conta com parte do dinheiro para trocar o piso da cozinha e comprar móveis novos para sua casa.
Agropecuarista de maior porte, César Bronzel (774 hectares) disse que vai usar o dinheiro para adquirir óleo diesel e insumos para a colheita, além de pagar débitos relativos à safra. ''Com esse dinheiro disponível, não preciso vender produtos agora. Com isso, posso comercializá-los mais tarde por preços melhores'', ressaltou.
As sobras distribuídas aos associados são parte o lucro obtido pela Coamo no ano passado. Outra parte vai para os fundos estatutários. A destinação dos recursos foi aprovada em assembléia realizada na semana passada. Segundo balanço, a cooperativa faturou R$ 2,27 bilhões em 2002 e apresentou sobras líquidas de R$ 170,54 milhões. Segundo o presidente da Coamo, José Aroldo Gallassini, foi o melhor ano da história da cooperativa, fundada em 1970.


