A Coamo fecha o ano com faturamento (receita global) de R$ 1,25 bilhão, acima dos R$ 1,21 bi do ano passado, apesar de uma série de dificuldades: seca, geadas, aumento dos insumos, baixo preço dos produtos agrícolas, endividamento dos produtores. A receita do ano passado ainda foi beneficiada pelo ajuste cambial que favoreceu o desempenho das commodities, o que não aconteceu neste exercício.
Os números não são definitivos (balanço fecha no dia 31 de dezembro) mas estão bem próximos da realidade. Ao dar a informação para a
Folha , quinta-feira, o presidente da maior cooperativa singular do País, o engenheiro agrônomo José Aroldo Galassini, confirmou que a cooperativa vai antecipar parte dos lucros aos associados no mês de dezembro. Este repasse que vem sendo feito há vários anos, deve beneficiar a maioria dos 17 mil associados da Coamo em 47 municípios.
Pode-se dizer que foi mais um ano de sucesso, mas não por falta de problemas. Galassini enumera alguns deles: a seca foi a pior desde 1986; os estragos das três geadas consecutivas foram piores ou iguais aos da geada histórica de 1975. Para variar, depois que o tempo se normalizou, ainda ocorreram chuvas (localizadas) de granizo, ataque de doenças acima do normal e, finalmente, o episódio do Rhodiauram SC. ‘‘Um produto bom, há tanto tempo no mercado e, de repente, acontece isto’’ - lamenta Galassini - esclarecendo que houve boa vontade da Aventis em negociar com os produtores prejudicados.
A cooperativa vem intermediando as negociações. Os produtores serão ressarcidos não só no tocante às sementes, mas também em todo custo de implantação do replantio. O resultado da fitotoxidade do fungicida foi pesado: área atingida, cerca de 45 mil ha. Em 13 mil ha houve necessidade de replantio. O restante da área está sob observação dos técnicos da Coamo e da Aventis, com previsão de queda da produtividade.
Lançamento Na próxima terça-feira, com a presença do governador do Estado, a Coamo apresenta seu mais novo produto, a Margarina Coamo, submetida a testes desde o ano passado. O lançamento faz parte das comemorações dos 30 anos de fundação da cooperativa.
A indústria, que recebeu investimentos de R$ 15 milhões, vai produzir inicialmente 60 toneladas/dia de margarina e 100 toneladas/dia de gordura hidrogenada, produto do óleo refinado, que tem melhor aplicação que os óleos vegetais.
A margarina amplia o leque de produtos finais de marca Coamo: arroz, feijão, óleo, farinha de trigo e café. O forte do mercado consumidor da Coamo está no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A colocação do produto não terá difuldade para quem já tem toda uma estrutura de distribuição. As vendas são terceirizadas.
A receita dos produtos da Coamo deve girar em torno de R$ 120 milhões este ano. A comercialização da margarina pretende elevar esse faturamento, ano que vem, para R$ 160 milhões.
A embalagem da margarina tem alto grau de automação em todos as etapas: na confecção do pote, na aplicação do rótulo, no envase do produto e na aplicação do selo inviolável. Em margarina, essa garantia de inviolabilidade é inédita do Brasil, segundo o assessor Ilivaldo Duarte.

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