Coamo articula vinda da Bolsa de Chicago ao PR
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sexta-feira, 21 de maio de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A instalação de um escritório da Bolsa de Chicago (EUA) no Paraná vai favorecer o setor exportador de soja que passará a ter ampla cobertura de suas operações, afirmou ontem o analista de mercado Flávio França Júnior, da agência Safras e Mercados de Curitiba. Segundo ele, com as operações de hedge (proteção) os exportadores poderão inclusive ter cobertura sobre prêmios pagos no porto, que este ano vem permanecendo negativo no Porto de Paranaguá.
A iniciativa está dependendo de aprovação do Banco Central (BC) e a previsão é que o escritório comece a funcionar no início de 2005 em Paranaguá. O presidente da bolsa norte-americana, Charles Carey, tem um encontro marcado com o governador Roberto Requião (PMDB) no próximo dia 7 para definir o local onde será instalado o escritório.
A Bolsa de Chicago deve se instalar no Paraná até 2005 através da iniciativa privada para definir os preços de referência para commodities agrícolas nos mercados brasileiro e sul-americano. A Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo) foi quem articulou a vinda da Bolsa de Chicago ao Estado. Os primeiros contatos começaram em fevereiro deste ano quando o presidente da bolsa norte-americana Charles Carey visitou a Coamo, em Campo Mourão. A cooperativa intermediou as audiências entre o presidente da bolsa norte-americana com representantes do BC e do Ministério dos Transportes.
O presidente da Coamo, Aroldo Galassini, informou através da assessoria da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), que a presença da bolsa no Paraná vai facilitar as operações das empresas e cooperativas, porque atualmente poucas operam com o mercado internacional em função das dificuldades. ''A grande garantia que temos é que a Bolsa de Chicago não pode ser manipulada. Ela oferece uma segurança muito grande e é um negócio que facilita ao Brasil o maior acesso ao mercado internacional'', justificou.
Para Galassini, com um escritório da Bolsa de Chicago junto ao Porto de Paranaguá, o Paraná passa a ser referência na formação de preço para toda a América do Sul. Para o líder cooperativista, assim como o Golfo do México se tornou referência nos preços da soja para a América do Norte, Paranaguá deverá ser referência para os preços praticados na América Latina com a vantagem que a cotação será em real, comparou.
Para França Júnior, da Safras e Mercados, as empresas exportadoras que fazem operações de hedge com a bolsa norte-americana conseguem proteção ampla da atividade, exceto o prêmio cobrado do porto exportador. Este ano, o prêmio do Porto de Paranaguá vem consumindo 20% do valor real da saca de soja, quando tradicionalmente era de 3% sobre o valor real da saca de soja. ''As empresas ganham a opção de se protegerem também dos prêmios'', afirmou.


