CNI vê espaço para crescimento em 2006
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Das agências 
Brasília - A perspectiva de queda nos juros, o saldo positivo no comércio exterior e o mercado de trabalho apontam para o aumento do ritmo de crescimento da economia neste ano, segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). ''Você ainda tem estímulos de demanda para a economia retomar o ritmo de crescimento'', disse Flávio Castelo Branco, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI.
O faturamento do setor industrial apresentou uma elevação de 3,84% (dados dessazonalizados) em novembro na comparação com outubro, após queda nos quatro meses anteriores. ''Há espaço, bastante, para retomada do crescimento da atividade industrial'', completou o empresário.
Para a CNI, a reversão reflete a queda nos juros, iniciada em setembro pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Desde ontem o colegiado está reunido para decidir o futuro da taxa Selic, atualmente em 18% ao ano. A decisão será anunciada hoje à noite.
O economista da CNI espera um corte de 0,75 ponto percentual. Na reunião de setembro o corte foi de 0,25 ponto e nas demais, de 0,5 ponto. ''Se mantiver o mesmo ritmo, ele vai cortar 0,75 ponto percentual'', disse. Isso porque a partir desse ano as reuniões deixam de ser mensais e passam a ocorrer a cada 44 dias, em média.
Para Castelo Branco, a utilizada da capacidade instalada da indústria deixou de ser um fator de preocupação para o Copom, já que o nível está mais baixo devido, principalmente, a maturação de investimentos. ''Não há a menor restrição, pelo lado da oferta, para a economia crescer'', avalia.
O índice de utilização da capacidade instalada caiu de 83,8% em novembro do ano passado para 81,4% em novembro deste ano. Considerando o índice dessazonalizado, a queda foi de 83,2% para 80,8%.
Nível de emprego - O nível de emprego na indústria brasileira registrou queda de 0,6% em novembro de 2005 na comparação com outubro, quando houve redução de 0,2%. Em relação a novembro de 2004, o indicador registra queda de 0,9%. No acumulado do ano, de janeiro a novembro, houve aumento de 1,2% no nível de emprego. Os dados são da pesquisa de emprego na indústria, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na avaliação da coordenadora de pesquisa, Fernanda Vilhena, o resultado de novembro caracteriza uma certa estabilidade no nível de emprego, quando se observa o crescimento de 1,3% na variação do número de horas pagas no mesmo mês. ''Juntando os resultados do pessoal ocupado e do número de horas pagas, o cenário que temos é de certa estabilidade'', disse.
Entre os setores que mais reduziram o ritmo de abertura das postos de trabalho em novembro de 2005 estão o de calçados e artigos de couro (com queda de 12,8%) e de madeira (com redução de 16%). O setor de alimentos e bebidas foi o responsável pela maior alta, ao ampliar em 5,4% a contratação de pessoas.
O Rio Grande do Sul registrou a maior redução no nível de emprego em novembro, com uma taxa negativa de 8,5%. Minas Gerais foi responsável pelo aumento de 3,1% no número de postos de trabalho.


