CNI teme perda de competitividade por causa da energia
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quarta-feira, 09 de junho de 2004
Agência Estado 
Brasília - Os aumentos das tarifas de energia elétrica estão preocupando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que teme uma perda de competitividade das empresas brasileiras e uma redução das exportações de algumas ''commodities''. Entre os motivos de preocupação estão não apenas problemas imediatos, como a falta de combate aos ''gatos'' nas favelas do Rio de Janeiro - que têm elevado as tarifas da Light acima da média nacional - como os possíveis efeitos do novo modelo do setor elétrico.
Segundo o coordenador do Conselho de Infra-Estrutura da CNI, José de Freitas Mascarenhas, as constantes queixas das federações de indústria sobre o problema levaram a Confederação a estudar um sistema de acompanhamento das tarifas, para evitar exageros.
Ontem técnicos da iniciativa privada estudaram a questão, inclusive com representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para definirem um plano de ação. ''O ambiente é de aumento de tarifas, e temos que trabalhar para que ele não seja exagerado, para que reflita os custos de geração'', espera Mascarenhas. Segundo ele, as indústrias de alumínio e de aço estão entre as mais afetadas pelos aumentos. ''Daqui há pouco vão trocar exportação de alumínio pela exportação da matéria-prima'', comentou.
Mascarenhas ressalvou que os impactos do novo modelo são uma preocupação, já que a regulamentação dele ainda não foi concluída. Uma das principais queixas da CNI é contra a falta de limites, tanto para os encargos do setor elétrico, quanto para o aumento dos custos de comercialização das distribuidoras, que acabam prejudicando os consumidores. Segundo Mascarenhas, junto com os impostos, há diversas taxas e encargos embutidos nas tarifas de energia, que representam de 47% a 52% do que é cobrado nas contas de luz.
Mascarenhas teme que estes encargos aumentem ainda mais com o programa de universalização de energia, o Luz Para Todos. Ele sugere que a universalização seja feita com muito cuidado na Amazônia, onde existe baixa densidade habitacional. ''Isso não pode trazer um custo proibitivo ao consumidor'', afirmou.
Em relação aos custos de comercialização das distribuidoras, a principal queixa dos empresários é dirigida à Light. A CNI reclama que a perda da empresa com os ''gatos'' nas favelas está sendo paga por todos os demais consumidores, sem que sejam adotadas medidas para coibir o desvio. A perda é incluída nos custos de comercialização da Light, que subiram 12%, enquanto o custo das demais está na faixa de 1% a 2%, segundo Mascarenhas. O problema com a Light foi denunciado também no seminário sobre infra-estrutura promovido ontem em Brasília pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e das Indústrias de Base (ABDIB).


