CNI teme falta de investimentos
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terça-feira, 17 de agosto de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto manifestou ontem, em Curitiba, o temor dos industrais com a duração do atual ciclo de crescimento. Monteiro Neto disse que para este ano, todos os indicadores são satisfatórios. Mas teme a falta de investimentos em infra-estrutura, logística e definição dos marcos regulatórios para atrair os investimentos necessários para sustentar o crescimento.
Segundo Monteiro Neto, este ano o Brasil está vivendo um ''momento auspicioso de retomada do processo de crescimento''. Na sua opinião, o País deve ter um crescimento de 4%, índice que deve ser puxado pela indústria da transformação que deve crescer 6%. Para Monteiro Neto o processo de crescimento foi sustentado pelo agronegócio, exportações e também pela opção individual do empresariado que tem recorrido a recursos próprios para expansão das atividades de suas empresas.
Nessa linha, o empresário prevê que o País ainda têm folêgo para crescer cerca de três anos. A maior preocupação, no entanto, é com a indefinição e atraso dos marcos regulatórios em algumas áreas estratégicas como o de energia e saneamento, outro setor considerado estratégico.
O mais grave para o empresário é o retardamento no Congresso da discussão das Parceiras Público Privadas (PPPs) que está atrasando muito a decisão dos investimentos externos. Segundo Monteiro Neto, o nível de investimento estrangeiro atualmente corresponde a 19% do Produto Interno Bruto, índice abaixo da necessidade de investimentos da ordem de 22% sobre o PIB, necessários para sustentar um crescimento de 4% para o País.
Além da pressão sobre os marcos regulatórios e os investimentos em infra-estrutura, o setor industrial pretende concentrar esforços sobre a queda de taxas de empréstimos do setor financeiro. Monteiro Neto disse que o setor industrial vai reivindicar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar a indústria, pleito que deve contar com a ajuda dos trabalhadores. Segundo Monteiro Neto, eles entenderam que o ''investimento de hoje representa o emprego de amanhã''.


