CNI teme efeitos da alta nos juros
Arquivo FolhaFuturo incertoO presidente da CNI, Fernando Bezerra: com a crise nas bolsas de valores e repercussão sobre os juros, desempenho da indústria nos próximos meses será uma incógnitaO presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra, e o chefe da assessoria econômica da entidade, José Guilherme Reis, admitiram ontem que o desempenho da indústria nos próximos três meses será uma incógnita, por conta da crise nas bolsas e a repercussão sobre os juros no mercado interno. Os dois avaliam que a manutenção da alta dos juros poderá afetar a compra de automóveis, segmento que vinha atuando como o sustentáculo das vendas da indústria.
O aumento dos juros e o consequente encarecimento dos financiamentos vão alterar todo o quadro que existia antes, principalmente se houver alguma medida de restrição ao crédito, advertiu Guilherme Reis. As avaliações de Fernando Bezerra e de Reis foram feitas ao divulgar pesquisa realizada pela entidade, em parceria com o IBOPE, sobre o desempenho econômico atual.
Conforme esses dados, coletados entre 15 e 22 deste mês, antes da crise nas bolsas, 56% dos 2.000 entrevistados no País pretendiam repetir o mesmo nível de compras do trimestre passado nos próximos três meses. Se os juros se mantiverem altos, a tendência detectada pela pesquisa fica falha, admitiu o presidente da CNI.
Os dados evidenciam uma tendência de redução das vendas de eletrodomésticos em favor dos automóveis: 17% dos entrevistados planejam comprar geladeira, máquina de lavar e televisão; 16% pretendem comprar fogão e 18% adquirir casa ou apartamento, enquanto 19% querem adquirir carro nos próximos seis meses. Forno de microondas, aparelho de ar condicionado e aspirador de pó também perderam preferência no consumo. Apenas 9%, 8% e 5%, respectivamente, disseram pretender comprar esses três produtos nos próximos seis meses.
Financiamento Um outro fator apontado pela pesquisa torna o quadro ainda mais preocupante para a indústria: a revelação de que em todos os bens relacionados, a intenção de compra vem acompanhada da intenção de financiamento, uma operação fortemente afetada pelo aumento dos juros. Os setores onde a intenção de compra a prazo é mais forte é o de microondas, no qual 66% dos entrevistados disseram que financiariam a aquisição do produto, seguido do de máquinas de lavar (64%) e da aquisição de casa própria (61%). Embora menor, a intenção de financiamento também aparece na compra de automóvel, fogão e televisão à prazo: 52%, 57% e 58%, respectivamente.
O aumento dos juros provoca o mesmo quadro de incertezas sobre as vendas de Natal. Segundo Guilherme Reis, antes do tumulto do mercado financeiro verificado nesta semana, 57% dos entrevistados pretendiam manter o mesmo nível de gastos registrado no Natal do ano passado. O economista explicou que no cotejo das séries de pesquisas que a CNI vem realizando em parceria com o Ibope (esta é a oitava), o índice das pessoas que pretendiam comprar mais (18%) e das que pretendiam comprar menos (22%), foi reduzido em comparação a levantamentos feitos anteriormente.
A pesquisa também indica uma mudança significativa no padrão de gastos para o Natal. Bens de baixo valor, como roupas e outros artigos pessoais, estão sendo privilegiados em relação a eletroeletrônicos, automóveis e móveis. Entre os entrevistados, 73% pretendem comprar roupas/sapatos neste Natal, frente a 47% registrados em agosto passado.





