CNI só vê prejuízo com 'feriadão'
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terça-feira, 19 de junho de 2001
Agência EstadoDe Brasília 
Os quatro dias do feriado de Corpus Christi permitiram uma redução 24% do consumo de energia elétrica nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste em comparação a idêntico período sem feriado. Esta economia de eletricidade permitiu que se chegasse uma diminuição de 18,1% do consumo de energia nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste e de 19,1% no Nordeste entre 1º e 19 de junho. Antes do feriado, a redução do consumo nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste estava em 15,8%.
Os números foram divulgados ontem pelo vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Carlos Gomes de Carvalho, com base em documentos fornecidos pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE).
Mesmo com este desempenho, Carvalho afirmou que a entidade é contra a adoção de feriados como solução para atingir a meta de redução do consumo de energia. O empresário afirmou que a colaboração da sociedade vai permitir que os 20% fixados pelo governo sejam alcançados. Os feriados prejudicam sensivelmente a economia. A balança comercial do País registraria um volume mais intenso de importações devido a interrupção dos setores produtivos, disse.
Um auxiliar do presidente Fernando Henrique Cardoso informou ontem que a proposta de feriados somente será colocada em análise no fim do mês, quando a GCE fechar o balanço do consumo de luz elétrica nos 30 dias de racionamento. Ontem, a GCE debruçou-se sobre os gastos de energia das 500 maiores empresas do País.
De acordo com o balanço do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), divulgado ontem à tarde, a redução do consumo manteve-se estável na última segunda-feira, primeiro dia útil depois do feriado. Ou seja, o comportamento dos consumidores ontem não foi suficiente para reduzir ainda mais o consumo.
Carvalho acredita que a população não deve se descuidar e voltar a gastar mais energia. Ele explicou que a entidade distribuiu cinco milhões de cartilhas com dicas sobre como economizar eletricidade. O material foi enviado para os empregados das 210 mil empresas filiadas às federações estaduais das indústrias. Carvalho destacou que outro fator positivo nesta cruzada vem do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Para o empresário, as previsões de que as chuvas vão começar mais cedo este ano é sinal de que a população está cada vez mais distante dos apagões.
Estes cortes programados no fornecimento de energia estavam previstos se a meta de redução de 20% do consumo não fosse atingida. Este seria o fator sorte para o governo federal, admitiu Carvalho. Na outra ponta, para afastar os riscos de racionamento nos próximos anos, são necessários investimentos na produção de energia.
O vice-presidente da CNI acredita que o setor precisa de uma injeção de US$ 20 bilhões para alavancar projetos de usinas hidrelétricas e termelétricas. Segundo o empresário, há países interessados em trazer recursos para o Brasil por meio de financiamento às empresas estrangeiras que viriam para o mercado nacional de geração de eletricidade.


