CNI registra alta moderada de vendas
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sexta-feira, 06 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - As vendas em outubro cresceram 1,66% em relação a setembro, sinalizando a continuidade moderada da recuperação da atividade produtiva na indústria. Os indicadores industriais de outubro divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, ao contrário das expectativas, o emprego total na indústria caiu 0,38%. A queda do emprego atinge 4,72% na comparação com outubro de 1995 e 7,98% no acumulado deste ano.
O presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), afirmou que os indicadores da indústria em outubro sustentam o argumento de que não há risco de uma explosão do consumo neste fim de ano e nem há necessidade de o governo frear a economia. Está descartado um aquecimento excessivo no consumo, observou Fernando Bezerra.
O crescimento das vendas em outubro atingiu 4,16% em relação a setembro se não for levado em consideração os efeitos sazonais das encomendas para as festas de fim de ano. Segundo Bezerra, a expansão do crédito e a queda das taxas de juros contribuíram para este desempenho mas nada indica que esta tendência se repetirá nos próximo meses. É importante lembrar que existe um limite para o endividamento dos consumidores, ressaltou.
Os indicadores de outubro obrigaram a CNI a rever suas previsões para este ano. Bezerra disse que o Produto Interno Bruto (PIB) este ano deverá crescer entre 3% e 3,5%. As quedas sucessivas nas vendas de agosto e setembro tinham reduzido as expectativas de crescimento do PIB para 2,5%. Bezerra salientou, porém, que o crescimento da indústria ficará em 2%. As vendas industriais este ano deverão aumentar 6%, mas o produto (que é medido pela venda de unidades) apenas 2%.
A CNI prevê ainda que a redução do pessoal empregado será de 7% este ano, o salário terá uma redução de 1% e o salário médio um incremento de 6%. O economista Francisco Castelo Branco, do Departamento Econômico da CNI, acrescentou que a redução do pessoal empregado na indústria deve servir de reflexão para o governo e para as indústrias. É preciso retreinar a mão-de-obra que está sendo dispensada por causa da adoção de novas tecnologia e processos de produção, afirmou.


