CNI reduz projeção de crescimento para 2,9%
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quinta-feira, 21 de setembro de 2006
Renata Veríssimo<br> Agência Estado 
Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu a projeção de crescimento da economia neste ano de 3,7% para 2,9%. Também caiu a estimativa de crescimento do setor industrial de 5% para 3,5%. O Informe Conjuntural divulgado ontem pela entidade afirma que a elevação dos gastos públicos é o principal inibidor do crescimento econômico.
''Compreender que esse é o fator maior que restringe o crescimento no Brasil é o passo mais importante para colocar o crescimento como prioridade'', diz o documento. A CNI afirma ainda que fatores como a carga tributária excessiva, os juros altos e a valorização do real frente ao dólar sufocam a atividade econômica no País.
''É muito aquém do necessário e das expectativas que temos de criar um país competitivo'', comentou o presidente em exercício da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. ''Estamos marcando passo.''
O presidente licenciado da CNI, Armando Monteiro Neto, afirmou que a revisão das projeções é resultado do fraco crescimento da economia no segundo trimestre. ''O tombo do segundo trimestre foi grande e o processo de contribuição de alguns setores, como o externo, leva a esse crescimento perto de 3%'', avaliou Monteiro Neto.
Monteiro Neto acredita que os últimos episódios envolvendo integrantes do PT, na compra de dossiê que envolveria o tucano José Serra na máfia das ambulâncias, não devem afetar as previsões econômicas para este ano. No entanto, segundo ele, é preciso ficar atento aos desdobramentos da crise política, porque ela pode afetar a percepção dos mercados, dos agentes econômicos e as decisões de investimento.
A CNI teme que a estimativa de arrecadação do governo, baseada em um crescimento de 4% este ano, não se confirme. Segundo a CNI, o comportamento das receitas nos próximos meses será fundamental para alcançar a meta de superávit primário este ano (economia do País para pagar juros), de 4,25% do PIB.
Segundo o Informe Conjuntural da CNI, o arrefecimento da atividade industrial deveu-se principalmente à contribuição negativa do setor externo. A valorização do real provocou uma queda de 0,68% no faturamento das empresas nos sete primeiros meses do ano, na comparação com igual período de 2005.


