Brasília A alta prolongada da taxa de juros no primeiro semestre, maior do que a esperada, obrigou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) a reduzir de 4% para 3,2% a sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Também a produção industrial se desacelerou nos seis primeiros meses do ano e, como consequência, o setor vai crescer menos em 2005. A projeção foi cortada de 4,8% para 4,2%, conforme o boletim ''Informe Conjuntural'', divulgado ontem. A entidade prevê, ao mesmo tempo, um segundo semestre melhor para a economia, com a expectativa de redução da taxa de juros pelo Banco Central.
No mais tardar em setembro, a CNI espera que o BC inicie o movimento de queda da taxa Selic, depois dos sinais recentes de redução da inflação. A expectativa dos economistas da entidade é de que até o fim do ano a Selic caia dos atuais 19,75% para pelo menos 18%. Se essa queda não ocorrer, a redução do ritmo de crescimento será ainda maior em 2005, alertou a entidade. Segundo o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a nova estimativa de 3,2% de alta do PIB embute uma queda dos juros de pelo menos 1,75 ponto porcentual até o final do ano.
''A alta de juros fez a economia andar de lado no primeiro semestre. Mesmo com a queda dos juros agora no segundo semestre, o aperto monetário continuará forte, o que vai afetar o desempenho da economia'', previu o coordenador. Ele espera que o governo dê um sinal de aprofundamento do esforço fiscal, com o aumento da meta atual de 4,25% do PIB de superávit primário das contas públicas para um nível acima de 4,50%. De acordo com as previsões da CNI, o superávit de 4,50% já será feito este ano, mesmo que o governo não anuncie formalmente uma nova meta. ''A meta precisa aumentar'', defendeu. O coodenador não disse quanto será necessário elevar o superávit porque a CNI ainda não concluiu o estudo que está fazendo sobre o assunto e será divulgado posteriormente.
''Embora o superávit seja forte, ele não é excessivo. Nos preocupa que a âncora ao combate da inflação tenha sido quase exclusivamente o aperto monetário. Por isso, torna-se consensual que esse combate intensifique o uso de instrumentos de natureza fiscal, como a redução dos gastos'', destacou Castelo Branco. Ele defendeu as discussões sobre déficit nominal zero e a adoção de um conjunto de medidas para a melhora do gasto público, que vem sendo chamado de ''choque de gestão''. Mesmo com a valorização da taxa de câmbio, a CNI elevou de US$ 32 bilhões para US$ 38 bilhões a expectativa de superávit comercial em 2005. Esse aumento é decorrente de uma expectativa maior em US$ 6 bilhões de volume de exportações, que subiu de US$ 108 bilhões para US$ 114 bilhões.

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