Curitiba - O Brasil pode promover uma desoneração e redução da carga de impostos independentemente da reforma tributária. Esta foi a posição defendida ontem em Curitiba pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto. A entidade propõe a redução da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) dos atuais 0,38% para 0,20%. ''Esta é uma proposta razoável porque não estamos colocando o financiamento público em risco'', disse. Ele acredita que há espaço fiscal para isso porque houve um aumento da arrecadação de tributos neste ano.
''Se a arrecadação cresce em valor quase equivalente ao que se arrecada com a CMPF a cada ano, está na hora de usar o excedente da arrecadação para reduzir a carga independentemente da reforma tributária'', defendeu.
Apesar das dificuldades que o setor industrial enfrenta, ele acredita que há espaço para mais investimentos. ''O investimento está crescendo no Brasil 10% ao ano. Isso já é algo expressivo'', declarou. Monteiro Neto lembrou que o investimento direto estrangeiro vai crescer esse ano de maneira significa e o Brasil poderá fechar 2007 com mais de US$ 32 bilhões de investimentos diretos.
Ele criticou o governo federal e disse que o setor público não consegue executar o orçamento de investimentos previsto no próprio Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). ''É preciso andar mais depressa. Quanto maior for o ritmo do investimento mais cedo vamos transformar isso em produto, o que significa empregos e benefícios para o conjunto da sociedade'', disse.
O presidente da CNI destacou ainda que o Brasil tem problemas de infra-estrutura sérios. ''A sociedade brasileira exige que hajam respostas concretas para a crise aérea. Apesar de todas as dificuldades, o Brasil teima em crescer mesmo com a crise da infra-estrutura e as dificuldades do setor aéreo'', declarou.
Produçãoi - Monteiro Neto considerou os resultados da produção industrial divulgados ontem pelo IBGE como positivos mas acredita que ainda ''não está bom''. ''Nós gostaríamos de crescer mais'', disse. Para ele, o crescimento envolve mais investimentos, confiança, atuar na infra-estrutura do País e promover um ajuste fiscal.
Ele comentou ainda que o problema do câmbio é grave no Brasil e destacou que o real teve uma valorização de 50% em relação ao dólar nos últimos quatro anos. Para se proteger disso, as indústrias estão importando produtos e componentes e, com isso, criando uma espécie de proteção natural. ''Esse efeito continuado da apreciação cambial está produzindo problemas seríssimos em alguns setores como de couro e calçados, moveleiro e confecções'', destacou. Monteiro Neto avalia que a MP 382 que oferece algumas compensações a esses setores não resolve o problema. Ele defendeu também uma redução maior nos juros para ajudar a conter a desvalorização do dólar.
O presidente da CNI veio a Curitiba ontem para inauguração do projeto de reforma, ampliação e modernização do Centro Integrado Sesi/Senai da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) que teve investimentos de R$ 7 milhões.

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