CNI projeta déficit de US$ 5 bilhões
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quinta-feira, 12 de dezembro de 1996
Agência Estado<br>de Rio de Janeiro 
O desempenho do comércio exterior este ano será pior do que o esperado, com um déficit acumulado na balança comercial de US$ 5 bilhões, segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No mês passado, estudo técnico do Departamento de Comércio Exterior e Investimentos (Decex) da entidade, apontava um déficit anual de US$ 3,8 bilhões. A expectativa é de que nos dois últimos meses do ano a balança registre déficit apenas ligeiramente inferior ao de outubro, que alcançou US$ 1,3 bilhão, superando todas as previsões, que indicavam cifra negativa em torno de US$ 800 milhões.
A coordenadora da pesquisa, Maria do Perpétuo Lima, afirmou que a redução do déficit só virá a médio prazo (entre um e dois anos) e, mesmo assim, se o governo investir pesado na adoção de medidas para redução do Custo Brasil. No ano que vem deve ser registrado novamente um déficit expressivo, afirmou. Apesar disso, o estudo refletiu um dado bastante positivo: a desvalorização real de 5,3% na taxa de câmbio entre o real e o dólar. As taxas demonstram que a política cambial utilizada agora é eficiente e deve ser mantida, disse Maria Lima.
A recuperação das taxas reais de câmbio é atribuída principalmente à evolução favorável dos preços atacadistas da indústria ao longo de todo o ano. Foi neste setor que o aumento das importações traduziu de forma mais consistente o peso da concorrência de mercado na redução dos preços, em especial nos bens de capital. De janeiro a outubro, a variação mensal do Índice de Preços por Atacado (IPA) na índústria mostrou-se continuamente inferior à desvalorização média mensal da taxa nominal real/dólar.
Em novembro, o mercado de câmbio registrou superávit de US$ 2.544 milhões, afirmou Maria Lima. Montantes inferiores a este só ocorreram em janeiro e maio. O estudo da CNI confirma a análise de que os elevados déficits na balança comercial refletem a desaceleração das exportações. Segundo explica a coordenadora da pesquisa, o Brasil vive um momento em que o aquecimento interno da economia provoca o aumento de consumo doméstico e a consequente redução do estoque excedente exportável.
Para aumentar o excedente, as empresas teriam que produzir mais, com o objetivo de exportar. Isto só seria possível, segundo os técnicos do Decex, com a redução dos custos de produção e distribuição. No mês passado, a CNI enviou à equipe econômica do governo um relatório com propostas de medidas de diminuição do Custo Brasil.


